Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 23/12/2020
Frente a atual pandemia do COVID-19, as escolas viram-se obrigadas a modificar o modelo de aulas presenciais para aulas on-line. Entretanto, esse modo de ensino pode aumentar a segregação do aprendizado entre os alunos que são socialmente vulneráveis e os que não são. Além disso, as aulas on-line negligenciam o ensino dos alunos que aprendem com abordagens além da expositiva, diminuindo o rendimento do estudo.
Primariamente, a qualidade do ensino está relacionado com as condições de acesso e estrutura disponível aos alunos. Por exemplo, o filme Escritores da Liberdade retrata a história de alunos pobres que não possuem alcance a materiais e um ambiente adequado para estudar, pois são segregados pela escola, e assim, tem seu ensino prejudicado. De modo análogo ao filme, no ensino à distância, é inegável que os alunos em fragilidade socioeconômica terão seu acesso à educação cerceada, já que, segundo pesquisa TIC Educação, 39% dos alunos da rede pública contra 9% da rede privada não possuem computador ou tablet em casa. Ou seja, esses estudantes não têm acesso às aulas e conteúdos ministrados pelos professores.
Ademais, assim como para os alunos, para os professores essa modalidade de ensino também é um desafio, segundo o Instituto Península, 83% dos professores sentem-se despreparados para ministrar cursos online. Assim, as metodologias aplicadas não abrangem todas as formas de aprendizado. Isto é, em O Gambito da Rainha, Elizabeth aprende jogar xadrez apenas observando o zelador do orfanato jogar, ou seja, ela é uma aluna visual. Entretanto, existem outros tipo de alunos além da Elizabeth, como alunos auditivos e cinestésicos. Logo, devido a inexperiência dos educadores em produzir diferentes materiais para internet, as vídeos aulas são feitas apenas com explicações verbais sobre o conteúdo, dificultando o aprendizado de pessoas visuais e cinestésicas.
Portanto, a fim de diminuir a desigualdade entre os estudantes, o governo deve destinar uma verba às escolas que farão a distribuição para as famílias solicitantes. De modo que, as instituições escolares - por serem mais próximas a realidade de seus alunos - avaliem as condições financeiras dos familiares e instruam o uso do montante. Além disso, para auxiliar os professores, é necessário que as escolas disponibilizem cursos sobre informática básica e produção de vídeos.