Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 23/12/2020

“A tecnologia move o mundo”, tal frase segundo Steve Jobs, advém da premissa a qual na medida em que o homem evolui sua capacitação técnica, este proporciona uma sociedade melhor para todos. Nesse sentido, porém, durante a pandemia do COVID-19, é verificado que a sociedade não reduziu a desigualdade e sim extratificou, gerando o aumento de casos de evasão escolar, dada a exclusão digital sofrida por estudantes e a situação de míseria enfrentada por muitas famílias, propiciando um aumento da violência urbana e aumento do número de mortes que somados a situação social e pandemica enfrentada pelo país, demonstra o despreparo Estatal em garantir o exercício dos direitos constitucionais. Sob tal ótica, tal situação advém do conformismo e banalização das minorias sociais.        Em primeira análise, vale ressaltar que a exclusão digital é motivada pelo conformismo do Estado em não garantir ao cidadão o que lhe é previsto por lei, ou seja, a igualdade. Conforme Foucault em “Vigiar e Punir”, é necessário que os indivíduos sejam submetidos ao controle das instituições governamentais, a fim de garantir a docilinização dos corpos. Assim, entra em pauta a desigualdade imposta na educação, a qual objetiva conscientizar através do conhecimento e, devido ao despreparo e deficit de fomento, estas não possuem condições que seriam essênciais para proporcionar meios para que todos possam estudar. Por conseguinte, há a pausa do fomento do senso crítico dos estudantes, e logo a docilinização destes mediante conformidade ante o descaso à população marginalizada.

Além disso, vale salientar que a conformidade com a desigualdade e a não inclusão social de todos agrava ainda mais o perfil extratificado do país. De acordo com Hannah Arendt, com a premissa da Banalização do Mal, se torna evidente, que o baixo desenvolvimento na promoção do senso crítico, torna o cidadão propício a cometer crimes. Dessa forma, é facilmente manipulado por especulações tais como: a suposta periculosidade da vacina do COVID-19, ou a não obrigação do Estado em garantir o apoio economico e social aos cidadãos durante a pandemia. Logo, o jovem, o qual deveria estar estudando, é submetido a trabalhos insalubres, a fim de garantir a sobrevivência da família.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas para garantir o acesso digital visando a integração dos indivíduos e a redução das desigualdades. Urge ao Ministério da Educação, como orgão gestor das instituições educacionais e provedor da conscientização social, a atuação por meio do desenvolvimento ou convênios de plataformas para estudos e orientações durante a pandemia. Além do fornecimento de cesta básica aos estudantes e tablets com pacotes de internet, os quais deverão ser providos às escolas, com o fim de reduzir a discrepância social, a míseria que assola a muittas famílias brasileiras e conscientizar os cidadãos. Feito isso, de fato a tecnologia moverá o Brasil.