Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 25/12/2020

A pandemia instaurou uma situação de evitamento de aglomeração de pessoas, pois essa é a condição fundamental para o espalhamento de uma doença infectocontagiosa. Por esse motivo as instituições de ensino tradicionais não podem prosseguir com suas atividades, uma vez que envolvem muitos alunos reunidos em uma mesma sala. No entanto, apesar de não poder haver ensino presencial, a educação não pode ser paralisada, já que é um direito básico do cidadão. E a solução mais lógica - aulas por conexão de internet - vem gerando consequências como a evasão de alunos e a segregação.

Em uma primeira análise, é válido destacar que são muitos os desafios em, num país em desenvolvimento como o nosso, transmitir conhecimentos de uma sede (como a escola, a universidade) a uma gama de alunos que vivem em locais muito diversificados. Não são todos que possuem cobertura de internet. Nem todos onde ela chega a possuem (principalmente devido a más condições financeiras): 28% dos brasileiros estão desconectados de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019. Há ainda os que não possuem aparelho para se conectar, como um celular ou um computador. Isso é um impulsionador de segregação no país entre os presentes na Rede Mundial de Computadores e os excluídos, entre os que continuam a aprender na pandemia e os que não recebem mais suporte escolar.

Ademais, ficar longe da tutoria da instituição de ensino dificulta ao aluno de ter apoio em colegas, em profissionais do estabelecimento ao se enfrentar dificuldades no aprendizado de conteúdos. Além disso, o ensino a distância (EAD) amiúde traz complicações inéditas: ambiente de estudo que pode ser desfavorável, possíveis dificuldade de concentração e cansaço ocular. Em situações de problema, de desconforto, desistir é uma opção assaz atraente porque rompe com a fonte de estresse, o que acaba gerando a evasão de inúmeros estudantes.

Diante deste cenário, faz-se mister que o ministério responsável pela educação organize, junto a profissionais da educação e da tecnologia da informação, a elaboração de aulas, baseadas na Base Nacional Comum Curricular, a serem exibidas em canais abertos de televisão para todo o país, uma vez que mais de 90% dos domicílios brasileiros possuem TV (IBGE, 2018); assim, reduzir-se-ia a segregação existente. Outrossim, as entidades de educação devem manter funcionando espaços como a biblioteca, em conformidade com as regras de prevenção à contaminação, a fim de que os alunos com sérias dificuldades na adaptação ao EAD possam frequentar, medida importante para reduzir a o índice de desistência dos cursos.