Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 02/01/2021
No filme norte-americano “Contágio”, de 2011, é retratada uma sociedade em caos após a descoberta de uma epidemia fatal e altamente transmissível. Essa situação não se afasta muito da realidade: o ano de 2020 foi abalado amplamente pela COVID-19, uma pandemia viral que causou a necessidade de adaptação da educação e de muitas profissões ao meio virtual, para evitar ao máximo o número de possíveis contaminados a partir do isolamento social. Essa acomodação a uma nova realidade levantou muitas questões presentes no meio educacional, como a desigualdade no acesso à internet e a dificuldade de crianças no aprendizado online.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o Coronavírus foi essencial para a aceleração ainda maior da evolução tecnológica, o que poderia acarretar até mesmo em uma possível Quarta Revolução Industrial. Entretanto, ainda há muitas dificuldades a serem superadas, como a acessibilidade à tecnologia. Esse baixo acesso é um obstáculo à efetividade do ensino à distância no Brasil, visto que, segundo uma pesquisa do Ipea, 6 milhões de estudantes não possuem acesso à internet em casa, além de muitos outros que possuem apenas um dispositivo e precisam dividi-lo com outros irmãos. Além disso, outro desafio que se fez evidente nessa nova estrutura educacional é a extrema dificuldade de crianças em entender a matéria e em se concentrar nas aulas através de um monitor, tendo um desempenho muito melhor nas aulas presenciais. Vale lembrar que o processo de alfabetização requer treino constante por parte dos mais novos, para que a mente não esqueça o conteúdo. Portanto, a maior parte dessa ajuda cabe aos pais, que nem sempre possuem tempo para ensinar os filhos, devido à rotina agitada do trabalhador brasileiro.
Portanto, assim como afirma o filósofo racionalista René Descartes, a ciência, apesar de importante, é uma forma de conhecimento insegura, pois traz muitas dificuldades, que devem ser vencidas. Sendo assim, faz-se necessário o aumento de verbas destinadas à educação por parte do governo, por meio do envio de dispositivos com internet aos estudantes com necessidade, além da promulgação de uma lei que permita a retirada obrigatória de algumas horas semanais do trabalho de pais de crianças em alfabetização para que possam ajudar seus filhos nos estudos. Assim, o Brasil não terá uma queda tão grande nos seus índices educacionais, já baixos, durante a pandemia.