Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 06/01/2021
O livro ‘‘Emílio’’, escrito por Rousseau, aborda sobre a importância das instituições escolares no processo de formação do cidadão ideal, possuindo o papel de integrá-los na sociedade. Contudo, no mundo moderno, tal sistema educacional sofreu algumas modificações para inserir-se no âmbito pós pandemia. Nessa égide, algumas consequências desencadearam-se, seja o atraso do ensino ou a acentuação das disparidades econômicas. Por esses motivos, subterfúgios devem ser encontrados para transpor essa inercial problemática.
Torna-se imprescindível analisar, precipuamente, que o governo decretou o isolamento social no mês de março, medida protetiva necessária para conter a rápida disseminação do vírus covid-19. Nesse cenário, a maioria das instituições públicas fecharam suas portas sem oferecer o devido suporte aos alunos, os quais permaneceram sem acompanhamento por vários meses. Nesse diapasão, enquanto os alunos da rede privada estavam sendo assistidos educacionalmente, os sujeitos da rede pública tiveram o ensino atrasado, o que, por sua vez, pode vir a comprometer a inserção de tais cidadãos no ensino superior. Parafraseando Francis Bacon, é preciso criar oportunidades e não somente encontrá-las. Em contrapartida, o que se vê é a negligência governamental em engendrar medidas que viabilizem a democratização do ensino em meio ao caos social.
Faz-se mister refletir, ainda, que as transformações pós pandemia evidenciaram o agravamento das desigualdades sociais no âmbito escolar e acadêmico. Destarte, enquanto, para alguns, a pandemia resignifcou os moldes educacionais e possibilitou a superação dos entraves através das tecnologias, para outros, significou a perda de um direito instituído por lei. Nesse óbice, muitos indivíduos não conseguiram se inserir na educação à distância por não possuírem dispositivos eletrônicos para a concretização de tal ato. Segundo uma pesquisa exposta no jornal ’’ O Globo’’, cerca de 30% dos indivíduos encontram-se prejudicados diante da atual situação do Brasil, enfrentando um dilema diário para ter acesso à educação. Desse modo, tais dados só corroboram a acentuação das disparidades econômicas, no que tange à acessibilidade educacional. Logo, é preciso mudar com veemência.
Diante do olhar de Oscar Wilde, a não aceitação da realidade é o primeiro passo para a evolução de uma nação. Portanto, urge que o Poder Público crie oportunidades paras os menos favorecidos economicamente e garantam a democratização da educação, por meio da disponibilização de aulas em rede aberta, que contem com os mais qualificados profissionais, e ainda, aumente a demanda de vagas universitárias para o referido público, com o fito de mitigar os danos causados durante a pandemia. Assim, como busca o livro ‘‘Emílio’’, será possível a formação de cidadãos ideais.