Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 07/01/2021
A Constituição Federal, publicada em 1988, cita que: “Toda pessoa tem direito a educação, sendo o ensino elementar de cunho obrigatório”. Atualmente, o mundo está enfrentando a pandemia do novo coronavírus, o que obrigou as escolas a fecharem devido a quarentena. Desse modo, diversos impactos ocorreram na educação, como a expansão da sala de aula por meio de plataformas online, porém, nem todos os alunos obtiveram acesso a estas.
Cabe destacar, em primeiro plano, que o isolamento obrigou os estudandos a se adaptarem às novas tecnologias. Assim, plataformas antes pouco utilizadas, como Zoom e Google Meet, ganharam visibilidade e passaram a fazer parte do dia a dia. Isso, além de facilitar o contato entre professor e aluno, possibilitou que novos meios de avaliação surgissem através de aplicativos interativos, como o Kahoot!, que utiliza o sistema de perguntas e respostas rápidas. Contudo, apesar dessa evolução, as crianças, principais afetadas pelas falhas do ensino remoto, sofrem com a falta de interação física, que antes era promovida através de brincadeiras, o que acaba por prejudicar o seu desenvolvimento.
Ademais, conforme Pierre Levy, “Toda nova tecnologia cria seus excluídos”. Então, devido a falta de acesso a internet de modo igualitário, diversos jovens, principalmente da rede pública, possuem dificuldade para acompanhar as atividades online, acentuando ainda mais o abismo entre as comunidades educativas pública e privada. Além disso, segundo o IBGE, cerca de 97% das pessoas utilizam o celular como meio de acesso à internet e, as plataformas citadas anteriormente dificilmente funcionam de maneira efetiva neste, devido a falhas na conexão. Exemplo disso, é a matéria publicada pelo G1, na qual relata que um jovem morador da zona rural precisou construir uma “sala de aula” afastada de sua casa para poder ter acesso a internet pelo celular. Para muitos isso foi um exemplo de dedicação, mas o fato destaca ainda mais os desafios dos estudantes periféricos.
Portanto, é fato que a pandemia trouxe impactos positivos para a educação brasileira, mas os negativos foram sobressalentes. Logo, é necessário que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação promova a abertura de lan houses públicas, com o objetivo de facilitar o acesso dos estudantes às aulas no período da pandemia, colaborando para que o abismo entre a rede pública e privada seja diminuído e os alunos continuem sua formação sem restrições. Somente assim, o escrito da Consituição Federal citado será cumprido com eficácia, inclusive no período pandêmico.