Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 13/01/2021

A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal benefício não é notado na prática, quando se observa os impactos da pandemia na educação brasileira , dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Atrelado a esse problema, pode-se dizer que essa perspectiva ocorre devido a falta de meios tecnológicos, e ausência de internet para o ensino a distância (EAD).

Em primeira análise, com o avanço da pandemia e o aumento do número de casos, as escolas tiveram que optar por um ensino diferente do habitual, o ensino EAD. Entretanto,de acordo com a pesquisa TIC Educação 2019, aproximadamente 40% dos estudantes de escolas públicas urbanas não possuem computador ou tablet em casa, dificultando  o exercício dessa modalidade de ensino. Essa circunstância, segundo o filósofo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a Educação.

Ademais, além da falta de meios de tecnologia, a ausência da internet também é um fator que colabora com o aumento das dificuldades no estudo enfrentadas nesse período. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada  (IPEA), mais de 40% dos alunos de classes baixas não estão conectados a rede. Diante do fato exposto, é notório que os alunos desprivilegiados financeiramente, serão prejudicados por não conseguirem ao menos ter acesso a web, que poderia atuar como grande método de aprendizagem. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a persistir.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, por intermédio do Ministério da Educação, lance o programa “Mais Conectados”, com o objetivo de conceder aos estudantes internet de boa qualidade, e meios tecnológicos para o estudo, como tablets e computadores, a fim de proporcionar a esse educandos desfavorecidos uma forma de estudo e aprendizagem nesse momento difícil de pandemia que todos estão enfrentando. Assim, se consolidará uma sociedade mais justa, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.