Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 01/02/2021
Nunca foi dada a devida importância à desigualdade no sistema educacional brasileiro, um problema estrutural em detrimento do caráter histórico classista imposto pela camada dominante portuguesa, principalmente relativo ao ensino quando a Família Real se instalou no Brasil, visto que só os individuos de maior poder aquisitivo tinham capacidade de retornar à Europa, já que lá estavam localizadas as universidades. Essa disparidade foi acentuada pela pandemia do Covid-19, que obrigou a população a seguir as medidas de prevenção da OMS (Organização Mundial da Saúde), que, por consequência, admitiu a oclusão das escolas. Para não interromper os estudos, as escolas e universidades optaram por alternativas remotas, essas, no entanto, destacam problemas já existentes no sistema de ensino no Brasil.
O ensino remoto é um método que se restringe a secção da população com renda suficiente para o acesso à internet, à educação de qualidade, à estrutura familiar e material e insumos básicos necessários para uma boa qualidade de vida. Essa premissa se confirma a partir da pesquisa feita pelo Datafolha, que apresenta dados onde 8,4% dos estudantes de 6 a 34 anos abandonaram a vida acadêmica em algum grau de ensino, representando um total de 4 milhões de pessoas. Os motivos que justificam tal movimento são questões financeiras e a falta de acesso às aulas remotas em ambientes virtuais, problemas apontados, na maioria das vezes, pelos mais pobres. Esse cenário, associado ao isolamento social, que de acordo com o livro Loneliness dos autores John T. Cacioppo e William Patrick, causa diversos problemas psicológicos, como a ansiedade, doença considerada por Augusto Cury o mal do século.
Todos os fatores citados contribuem para a procrastinação, essa, por sua vez, é causada pelo estresse integrado à atividade a ser executada. Esse hábito somado à medíocre formação virtual dos educadores, deixa os discentes majoritariamente por conta própria nos estudos, resultando na falta de motivação e disciplina dos mesmos, características muito necessárias para um bom desempenho no ensino à distâcias.
Em face a essa realidade, é necessário que o Ministério da Educação dispobinilize recursos e equipes dedicadas à monitorar e pesquisar um novo método de ensino para atualizar a grade curricular da licenciatura de acordo com a demanda da atualidade, inserindo os alunos, futuros professores, no contexto tecnológico. Além disso, o Ministério da Saúde deve disponibilizar recursos para que as escolas sejam capazes de cuidar da saúde mental dos seus alunos, já que a motivação se provou como um elemento fundamental para o sucesso da educação à distância de um país.