Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 01/02/2021

No ano de 2020, o mundo inteiro foi acometido pela pandemia do Corona Vírus, o qual causou prejuízos na educação brasileira. Com isso, as aulas tiveram de ser ministradas por meio da Internet em formato Educação a Distância (EAD). Esse panorama aprofundou as desigualdades já existentes na sociedade brasileira, uma vez que parte significativa da população não possui acesso à internet, e pela negligência do Ministério da Educação, pouco foi feito para reverter essas disparidades entre classes sociais.

Nesse sentido, a exclusão digital, explícita no fato de que 25,3% da população brasileira não tem acesso à Internet, segundo o G1, contribuiu para o aprofundamento das desigualdade sociais, já que o novo formato das aulas necessitava dessa rede. A globalização perversa, termo de Milton Santos, pode se encaixar nesse cenário, uma vez que as mudanças promovidas pela pandemia não prejudicaram tanto as elites e classes médias, ambas com condições para se adaptar ao “EAD”, por fazerem parte dos 75,7% da população usuária da Internet. Porém, elas impactaram ainda mais a parcela mais pobre da população, que não teve o privilégio de assistir aulas até que as presenciais voltassem por volta do meio do ano.

Além disso, a negligência por parte do Ministério da Educação, responsável por guiar as escolas e profissionais educativos do país, teve efeitos nas escolas brasileiras, especialmente as da rede pública e municipal. Esse comportamento fica claro no discurso do Ministro Milton Ribeiro ao jornal Estado de São Paulo, em que ele diz que não é sua a responsabilidade de amenizar as desigualdades educacionais no Brasil, já que elas existem há muito tempo. No entanto, medidas eram necessárias para garantir o acesso à educação, assegurado pela Constituição Brasileira no Artigo 205, o qual a coloca sob dever do Estado. Portanto, sem essas medidas, muitas crianças e jovens tiveram sua formação prejudicada.

Desse modo, urge que iniciativas sejam tomadas por parte dos governos e prefeituras brasileiros, com auxílio e investimentos do governo federal, para que mais pessoas tenham acesso à Internet e assim, seja assegurado o acesso delas à educação. Isso deve acontecer por meio da distribuição de “chips” de internet, como realizado pelo estado do Maranhão, para alunos da rede pública em todos as unidades federativas. A fim de que o Artigo 205 da Constituição Federal seja colocado em prática definitivamente.