Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 29/05/2021
Consoante ao escritor brasileiro Ariano Suassuna, a injustiça secular dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o pais dos despossuídos. Analogamente, a citação, usada para alertar sobre a histórica discrepância socioeconômica presentes no país, dialóga diretamente com o debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira, uma vez que a não efetividade do direito à educação, ocasionada por dificuldades amplificadas pela pandemia, culmina na criação de um Estado de Exceção para a população pobre e vunerável.
Primordialmente, vale pontuar a importância da tecnologia no período pandêmico, já que, após o fechamento de milhares de instituições de ensino, mais de 45 milhões de alunos do Ensino Básico tiveram que recorrer ao meio digital para dar continuidade às atividades escolares. Entretanto, a precariedade do acesso à tecnologia, a desigualdade entre sistemas públicos e privados de ensino e a dificuldade de acesso à internet, somados ao fechamento de escolas, tornaram as consequências da pandemia, no âmbito educacional, extremamente desiguais. Destarte, segundo o geógrafo Milton Santos, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são desfrutados por todos os cidadãos. Assim, verificamos como conseguinte da pandemia, a inefetividade da democracia, caracterizada pelo malogramento do direito à educação básica aos alunos de baixo nível socioeconômico
Outrossim, o sociólogo Giorgio Agamben, em seu livro “Estado de Exceção”, entende que, dentro de uma sociedade, há pessoas que vivem sob um Estado de Direito, enquando outras sucumbem a um Estado de Exceção, tendo seus direitos desconsiderados ou negados. Logo, percebemos a expressão desse contraste como um dos resultantes da pandemia na educação brasileira, tendo em vista que a dificuldade do acesso à educação por estudantes em situações vuneráveis, exponencializadas pela crise sanitária no país, os exclúi e os marginaliza, tornando-os parte de um Estado de Exceção.
Portanto, é míster que o Estado tome providências para diminuir o impacto negativo da pandemia no sistema educacional brasileiro. Para isso, é essencial a criação do Ministério da Educação à Distância, por meio do Governo Federal, com o propósito de prover soluções equitativas para as dificuldades estruturais e didáticas enfrentadas pelos alunos. A partir dele, serão disponibilizados tablets com roteiros de estudos, aulas gravadas e internet gratuita para alunos de baixa renda. Além disso, serão promovidas aulas por meio de rádios e canais de TV de sinal aberto, com o intuito de expandir o corpo cultural e intelectual dos alunos. Somente assim a educação durante o confinamento social será íntegra e seus impactos consequentemente positivos.