Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 25/03/2021

A Fundação Oswaldo Cruz, uma das maiores instituições de pesquisa em ciências biológicas do Brasil, alertou que o país vive a maior crise sanitária da história devido à pandemia de Covid-19 - a qual já tirou a vida de mais de 300.000 pessoas. Nesse cenário catastrófico para a saúde e diversos outros setores da sociedade, os impactos no sistema educacional são inúmeros e merecem ser analisados, haja vista que repercutem diretamente na vida de milhões de pessoas e evidenciam problemas históricos e estruturais que devem ser debatidos na trama social. Diante disso, deve-se analisar como a desigualdade de renda e de acesso à tecnologia corroboram com a problemática em questão.

A princípio, é imprescindível enfatizar que a enorme disparidade de renda entre os brasileiros dificulta o acesso de grande parte da população a esse direito durante a pandemia. Isso decorre do fato de que, segundo uma pesquisa de 2020 feita pelo IBGE, a necessidade de trabalhar para ajudar no sustento da família é o principal motivo para o abandono da escola por parte dos jovens entre 14 e 29 anos. Em outras palavras, como a pandemia aumentou drasticamente o nível de desemprego e de pobreza, muitos jovens acabaram largando os estudos - que estão sendo mantidos por tecnologias de ensino a distância- para ajudar nas despezas de casa. Em contrapartida, aqueles que possuem melhor condição financeira conseguiram manter sua rotina de estudos sem a necessidade de abandoná-los.

Ademais, outro tipo de desigualdade que acentua a atual crise no sistema educacional, é a de acesso à tecnologia. Isso porque, como bem explicitou o portal de notícias “El País”,  46 milhões de brasileiros não têm acesso à internet; destes, 37% não tem sequer um aparelho celular, computador ou tablet que possibilite o acesso às aulas remotas, realizadas durante a Pandemia. Além disso, em diversos munícipios, como por exemplo Cametá, no Pará, a rede de internet mal chega, evidenciando o descaso do governo com parte da população. Como consequência desse cenário, milhares de jovens terão seu aprendizado prejudicado, o que dificultará o acesso a melhores oportunidades de trabalho no futuro, além do déficit na capacidade de pensar criticamente o mundo no qual fazem parte.

Fica evidente, portanto, que os impactos da pandemia na educação brasileira são inúmeros e merecem atenção plena por parte do Estado para seus enfrentamentos. Em razão disso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas e com o Ministério da Infraestrutura, a compra e distribuição de smarphones com internet 4g a todos os estudantes que carecem dessa tecnologia para acessar as aulas durante a pandemia, por meio da arrecadação de impostos e por investimentos da iniciativa privada, a fim de promover o acesso à educação de forma mais justa e igualitária entre todos os brasileiros, uma vez que é dever do Estado sempre zelar pelo seu povo.