Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 01/04/2021

A educação brasileira sofreu diversas transformações para tentar amenizar as consequências do coronavírus na vida dos discentes e docentes. Dentre essas, pode-se citar a adesão às aulas online e o uso de diversas plataformas da internet para criação de uma dinâmica de ensino interessante para os alunos. Observando essas mudanças, é perceptível que a maior parcela da população estudantil, durante a pandemia, não tem acesso a uma boa qualidade de ensino, pois grande parte dos estudantes não tem a tecnologia necessária para o uso de plataformas online e, além disso, os discentes também apresentam as preocupações gerais da pandemia que também afetam sua performance acadêmica.

Primeiramente, o problema da falta de tecnologia por parte dos estudantes não é um fato exclusivamente da comunidade acadêmica, visto que, segundo pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), 47 milhões de pessoas ainda estão desconectadas do mundo virtual, número esse que inclui população urbana e rural. A aplicação deste número na realidade estudantil é uma questão ainda mais preocupante, pois, para que haja o acesso a essas plataformas online usadas pelas escolas, é necessária uma quantidade razoável de banda larga, conexão essa, muitas vezes não adquirida até mesmo pelas pessoas conectadas às redes.

Já em outra perspectiva, as pressões psicológicas, sociais e físicas causadas pelos problemas intrínsecos à própria pandemia também afetam o rendimento escolar. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS): “Saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doença”. Logo, pode-se inferir que esta saúde, no contexto pandêmico, está abalada por diversos problemas, como a queda na renda familiar, morte de parentes e amigos, desenvolvimento de doenças psicológicas (ansiedade e depressão) e diversos outros ônus resultantes de uma má conduta da população em relação ao alastramento do Covid-19 e por uma torpe administração pública.

Dessa forma, nota-se que é de suma importância que o Estado, por meio de políticas em conjunto ao Ministério da Educação, invista na distribuição de aparelhos eletrônicos (tablets e computadores) e de banda larga suficiente para o acesso às plataformas usadas pelas instituições de ensino. Essa ação deve focar os estudantes mais necessitados de tais itens, visando sua inserção no meio acadêmico virtual. Além disso, devem ser aprovadas, por meio do Congresso Nacional, medidas emergenciais (auxílios emergenciais, incentivos fiscais, empréstimos a microempreendedores) que incentivem os cidadãos a permanecerem em suas casas, diminuindo o alastramento do coronavírus e amenizando os problemas não apenas dos estudantes, mas também de toda a sociedade.