Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 03/04/2021

Devido ao advento da pandemia, os países do globo terrestre, majoritariamente, foram afetados pelo fechamento das escolas, em razão do surto de coronavírus que se alastrou rapidamente pelo mundo inteiro. Por esse motivo, em virtude de não causar uma grande lacuna de aprendizagem à vida dos alunos, foi aderido, no Brasil, o ensino de educação à distância (EAD). Entretanto, a implantação desse método de aulas remotas gerou tanto avanços quanto desafios, em primeiro momento possibilitou a ressignificação da educação, por outro lado criou empecilhos, uma vez que grande parte da população não possui acesso a tecnologias informacionais.

Inicialmente, o ensino à distância possibilitou uma nova forma de aprendizado, o qual foi responsável por ressignificar o método de estudo, visto que a modalidade remota eximiu o professor do protagonismo existente no ensino presencial, o qual possuía uma didática mais rígida, baseada em coerções. Nesse sentido, é evidente que a nova postura tomada pelo estudo on-line está de acordo com o conceito de educação emancipadora, do educador Paulo Freire, cuja ideia é, realmente, dar mais autonomia ao aluno em suas tomadas de decisões, fazendo com que se torne o protagonista de sua aprendizagem e que desenvolva novas habilidades a partir disso. Diante desse contexto, é notório que o EAD, pelo seu caráter de ensino flexível, possibilitou que o corpo discente desenvolvesse diferentes capacidades, por causa da maior autonomia que dispõe.

Em contrapartida, a restrição do acesso ao ensino à distância foi um grande entrave criado pela pandemia, pois grande parte dos estudantes se encontra excluídos do ingresso desse meio. Sob essa ótica, segundo o filósofo francês Pierre Levy, “toda nova tecnologia cria seus excluídos”, ou seja, existe uma segregação quanto à inserção dos alunos aos meios tecnológicos, de modo que os impedem da possibilidade de estudar à distância, seja por fatores econômicos, seja pela ausência de ferramentas adequadas. Além disso, em 2018, uma pesquisa feita pela TIC Domicílios, apontava que mais de 30% dos lares, no Brasil, não possuíam internet. Diante desse obstáculo, evidencia-se que a educação on-line é muito limitada, pois não é uma modalidade que abrange seu ensino em todo terrirório nacional.

Portanto. Urgem medidas que ofereçam ferramentas ao acesso da educação a distância, por meio da execução do Ministério da Educação em parcerias com operadoras de telefone, afim de ofertarem dispositivos para o ingresso às aulas e o acesso à internet, a qual será fornecida por intermédio de modens portáteis, cadastrados pelas empresas telefônicas. Desse modo, será possível mitigar os óbices que grande parte dos alunos, privados dessas tecnologias, vem enfrentando em épocas como essa, que o único meio de aprendizagem é virtual.