Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 27/04/2021
Segundo as ideias do sociólogo Habermas, os meios de comunicação são fundamentais para a razão comunicativa. Visto isso, é possível mencionar que a internet é essencial para o desenvolvimento da sociedade. Entretanto, no atual cenário em que a pandemia da COVID-19 já impactou os estudos de mais de 1,5 bilhão de estudantes em 188 países, segundo a UNESCO, essa é uma realidade um pouco distante. Em meio a esse panorama conturbado, não apenas na questão da saúde, mas também do aprendizado das crianças e dos jovens, os impactos no ensino são vários, já que nem todas as escolas estão preparadas para introduzir um método de ensino a distância, desencadeando, dessa forma, a questão da desigualdade social e do difícil acesso a tecnologias por parte das classes mais baixas.
Em primeiro plano, evidência-se que pouquíssimas pessoas imaginavam uma pandemia com as proporções que a COVID-19 alcançou. Como consequência disso, a maioria das escolas não conta com o suporte necessário para o oferecimento do ensino remoto. Apesar de até estarem mais presentes em instituições do Ensino Superior, as plataformas digitais eram aproveitadas pela minoria dos estudantes da Educação Básica. E de forma repentina as escolas precisaram encontrar maneiras de se adaptar a essas “novas tecnologias” – que não são tão novas assim. Além disso, são poucos os professores que tiveram a formação adequada para lecionar a distância, pois a dinâmica de interação com os alunos é outra, as formas de comunicação com familiares muda e o conhecimento das tecnologias educacionais é imprescindível.
Ademais, as tecnologias educacionais são a principal solução para a situação atual do país e de maior potencial de inovação na maneira como as crianças e jovens são educadas. Contudo, a realidade brasileira está bem longe de ser igualitária, infelizmente. Segundo pesquisa do IBGE, apenas 57% da população do nosso país possui um computador em condições de executar softwares mais recentes. Outro estudo realizado em 2018, a Pesquisa TIC Domicílio, aponta que mais de 30% dos lares no Brasil não possuem acesso à internet, que é praticamente indispensável para o serviço de ensino remoto.
Dessa forma, pode-se perceber que o debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira é imprescindível para a construção de uma sociedade igualitária. Nessa lógica, é imperativo que a organização política-administrativa do país, que compreende a união, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, cada qual dentro de seu âmbito de atuação, alocar as redes “wifi” de acordo com o estudo pré-elaborado para atender às necessidades locais e incentivar programas de inclusão tecnológico e social, a fim de proporcionar acesso à internet para todo o corpo discente, tornando possível, dessa forma, um avanço no ensino a distância.