Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 12/05/2021
Em 1918 eclodiu no mundo a gripe espanhola, uma pandemia que matou milhões e trouxe inúmeras mudanças impactantes, como o fechamento de escolas no Brasil. Desse modo, no ano de 2020 uma nova crise de saúde se destaca, causada pelo vírus da COVID-19, trazendo consigo configurações diferentes no sistema educacional brasileiro e o recorrente encerramento momentâneo das atividades presenciais nas instituições escolares.Com isso, é preciso debater os efeitos da pandemia supracitada na educação do país, tendo em vista o aprofundamento das desigualdades e o prejuízo para o aprendizado de crianças e jovens.
A princípio, é válido citar que, apesar de haver transformações positivas no período pandêmico, um abismo educacional entre as classes sociais está sendo evidenciado e agravado. Segundo o filósofo alemão Karl Marx, a desigualdade é a relação díspar de forças entre a classe mais forte, a burguesia, e a classe mais fraca, o proletariado. Nesse sentido, é possível visualizar tal conceito no ensino público, visto que diante da necessidade de aulas a distância, muitos alunos não têm acesso à recursos tecnológicos básicos, como a internet, segundo dados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), enquanto alunos de escolas paticulares valem-se de bons serviços. Assim, a situação demonstra falha estatal nas ações de melhoria da educação.
Posteriormente, vale também ressaltar a aprendizagem prejudicada nesses anos atípicos. Ademais, uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas destaca que os educandos brasileiros pode retroceder em até quatro anos nos níveis de instrução. Além disso, a pesquisa mostrou ainda que crianças e jovens podem deixar de aprender, por ano, até 72% do que aprenderiam em tempos normais. Com isso, é inadiável a união de forças governamentais e privadas para modificar o cenário lamentável ocasionado pela instabilidade sanitária mundial.
Urge, portanto, o Governo Federal, em parceria com municípios e empresas fornecedoras de recursos digitais e provedores de internet, realizar levantamento de alunos sem recursos para acompanhar aulas online e prover instrumentos o suficiente nas escolas municipais, a fim de realizar rodízio do uso desses mecanismos tecnológicos, garantindo o acesso qualitativo dos estudantes ao conhecimento. Cabe, ainda, ao Ministério da Educação promover aulões trimestrais de revisão dos conteúdos estudados, por meio de plataformas digitais, com a finalidade de dinamizar o estudo e fixar o conhecimento apresentado. Por fim, o cumprimento das medidas citadas resultaria em impactos positivos na educação do Brasil.