Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 23/05/2021

Embora se imaginasse que a civilização humana e suas organizações sociais estariam mais preparadas para uma pandemia nos dias atuais do que estiveram um século atrás, na contaminação global da gripe espanhola por volta de 1918, tal hipótese não se provou na pandemia do coronavírus, particularmente no caso da educação brasileira. A condição atual revela a necessidade de um debate profundo sobre a desigualdade inerente à educação no Brasil. Tal debate deve passar pelo desamparo por parte de um Estado que não aparenta estar interessado em assegurar o exercício do ensino pelos professores tampouco garantir o aprendizado dos estudantes, em sua maioria marginalizados.

Com certeza, se demonstram corretas as observações que apontam como a pandemia apenas expôs a severa inequidade já presente no Brasil antes do ínicio da mesma, uma vez que professores e estudantes da rede pública simplesmente não possuem os recursos necessários para se adaptar as novas modalidades de ensino. Assim, a pandemia se soma a situação já delicada dos profissionais da rede pública, que enfrentam cortes e atrasos salariais, não possuindo as mínimas condições para exercer sua profissão de forma remota. A ausência de tecnologia disponível para transmitir e publicar aulas, bem como mecanismos que facilitem o seu uso pelos professores, exemplificam a condição precária de muitos desses profissionais durante a pandemia. Portanto, é preciso que se tomem medidas emergenciais para fornecer aos professores a infraestrutura que os possibilite realizar a plena prática de suas funções sob as circunstâncias do ensino à distância (EAD).

Ademais, as reverberações da crise do coronavírus também podem ser percebidas na já existente dificuldade de aprendizado dos jovens matriculados no sistema público de educação, se comparados ao setor privado. As ferramentas utilizadas no EAD, sejam elas celulares, computadores ou acesso à internet, nunca estiveram ao alcance desses jovens, podendo impactar seu desempenho não só durante a pandemia, como consequentemente o resto de suas trajetórias acadêmicas e profissionais. É fundamental que os poderes competentes, cujo propósito é garantir a escolarização do povo brasileiro, ofereçam assistência aos milhões de jovens que tiveram seu aprendizado impossibilitado.

Em síntese, compreende-se que a ineficiência do Estado em proporcionar recursos suficientes para que as partes envolvidas no processo educacional realizem o EAD, contempla os desafios enfrentados pelos professores e estudantes da rede pública. Dessa forma, é preciso que o Ministério da Educação  e secretarias estaduais, coordenem um projeto emergencial que seja capaz de abastecer professores e alunos com os recursos necessários, como tecnologias e capacitação, a fim de amenizar os impactos da desigualdade, agravada pela pandemia, na educação brasileira.