Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 22/05/2021

Desde março de 2020, com o início da pandemia do coronavírus, um dos extensos desafios enfrentados está correlacionado à educação no Brasil. Por motivos de isolamento e distanciamento social, muitas instituições de ensino têm suas aulas paralisadas, o que desencadeou um lapso no ano letivo. Tal lapso manifesta uma realidade que é rejeitada há muito tempo: a falta de acesso à internet, por parte dos estudantes, e uma nova metodologia de ensino, por parte dos professores. Uma vivência que afeta, diretamente, a classe de estudantes pobres e necessitados, numa época em que o acesso à educação depende, principalmente, da internet, e da familiaridade dos professores há novos tempos.

Em primeiro lugar, é importante destacar a iniciativa de Ensino à Distância (EAD) que preenche lacunas deixadas no ano letivo, devido as orientações de segurança para conter a propagação do covid-19, de maneira determinante. Entretanto, ao mesmo tempo que substituiu a necessidade de alguns, tornado visível a necessidade de outros. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Centro Regional e Estudos para Desenvolvimento da Sociedade e da Informação (Cetic), 46 milhões de brasileiros não têm acesso à internet. E desse total, as classes E e D são as que menos têm acesso aos altíssimos preços e pela falta de ferramentas para uso didáticos, como celulares, tablets e computadores.

Além do acesso dos estudantes à internet, outra discussão levantada, está associada a familiaridade dos professores com a inserção do “EAD” em tempos de pandemia, pois não basta o acesso, é necessário uma nova metodologia de ensino que não prejudique a relação de aluno e professor. Contudo, por conta de o “EAD” ser baseado numa interação entre professor e aluno, em algumas escolas vem sendo adotado um formato baseado no envio de tarefas e atividades por WhatsApp, o que põe em risco a seriedade do papel do estudante, como estudante , e torna o ambiente com o professor íntimo e “despreocupado”, podendo confundir o aluno e prejudicar ambos os lados.

Sendo assim, dada a seletividade na aquisição da internet, faz-se importante democratizar o seu serviço. Cabe ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) criar e alavancar projetos que visam a disponibilização de acesso à internet por parte das classes mais pobres, que carecem desse meio. Em suma, tratando-se do contato dos professores à novas plataformas e ferramentas didáticas, o Ministério da Educação (MEC) junto com o Conselho Nacional de Educação (CNE) devem criar plataformas dignas para a postagem de aulas e atividades. Afinal, como diria o economista britânico, Sir Arthur Lewis: “Educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento com retorno garantido.”