Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 31/05/2021

De acordo com um levantamento feito pelo Portal IEDE, os dados do PISA – exame internacional que busca avaliar o conhecimento dos mais diversos estudantes – de 2018 revelam que a desigualdade entre alunos ricos e pobres no Brasil está entre as cinco maiores do mundo. Durante a pandemia de Covid-19, em decorrência da omissão estatal diante dos desafios impostos pela nova modalidade de ensino, houve um agravamento dessa desproporcionalidade já existente no sistema educacional brasileiro. O efeito disso, para os alunos de baixa renda, é a perda de possibilidades de ascensão social.

Em primeiro lugar, é preciso pontuar que a negligência governamental quanto ao acesso ao ensino de qualidade pelos estudantes mais pobres foi o principal catalisador da problemática. De acordo com a Constituição Federal de 1988, a educação é direito de todos e dever do Estado. No entanto, o que se constatou durante a pandemia foi o desamparo dos alunos de escolas públicas, os quais não foram contemplados pela tecnologia necessária para assistir às aulas virtuais, e, portanto, sua subsequente desvantagem em relação aos alunos de escolas privadas que puderam acompanhar o ensino remoto. Assim, evidencia-se que o Estado negligenciou a educação dos estudantes de baixa renda durante a pandemia de Covid-19, o que agravou a desigualdade existente entre alunos ricos e pobres.

Consequentemente, o que se observa é a perda de oportunidades de mobilidade social por parte dos estudantes de classe baixa. Segundo o sociólogo Karl Marx, a educação, por surgir como sustento dos privilégios das classes dominantes, é libertadora para aqueles que se encontram nas classes oprimidas. Em consonância com o pensador, constata-se, na contemporaneidade, que não raro a escola é a instituição que oferece novas oportunidades de estudo e inserção no mercado de trabalho, conferindo, assim, condições de vida mais adequadas para aqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade. Isso se verifica, por exemplo, na trajetória da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus, que, após tornar-se alfabetizada e publicar seu primeiro livro, consegue uma moradia melhor.

Portanto, urge que o Estado tome providências para solucionar o quadro atual. Para que os estudantes de baixa renda possam participar das aulas ministradas on-line, é preciso que o Ministério da Educação, por meio de iniciativas regionais organizadas pelas secretarias estaduais de educação, disponibilize-lhes dispositivos tecnológicos, além de ensiná-los a utilizar esses equipamentos corretamente. Ainda, caberia, por meio das secretarias, manter um diálogo frequente com as famílias dos estudantes, auxiliando-os em eventuais dificuldades de acesso. Somente assim, será possível subverter o quadro de desigualdades educacionais intensificadas pela pandemia de Covid-19.