Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 31/05/2021

Darcy Ribeiro, historiador e antropólogo brasileiro, dedicou-se a produzir trabalhos com temáticas sobre educação e pautas indígenas no século XX, dentre os quais se destaca “O Povo Brasileiro”. Na obra, é atribuída uma “miopia” ao Estado diante de problemáticas internas, evidenciando que a negligência governamental em relação a importantes assuntos, como a educação brasileira, não é atual e se faz presente há alguns anos. E com a chegada da pandemia, os problemas oriundos dessa omissão se intensificaram. Assim sendo, é indubitável que o governo deixe de ser omisso e atue em prol à sociedade como um todo, use a crise como uma oprtunidade de aprendizagem para que o futuro nacional seja melhor.

Em primeiro lugar, cabe pontuar que as dificuldades de logística de instituições de ensino privado são completamente diferentes da situação das escolas públicas. Embora esteja na lei que o acesso ao ensino fundamental é obrigatório e direito de todos os cidadãos, para alguns falta o mais básico, muitos alunos ainda dependem da escola para se alimentarem, como dito pela professora da FGV, Claudia Costin. Aliado a esse conjunto, muitos professores encontraram-se sem apoio do Ministério da Educação (MEC) para fazerem a passagem do ensino presencial para o ensino a distância (EAD), fomentando assim, o aumento no nível de desigualdade no âmbito da aprendizagem dos alunos.

Em outro plano, convém ressaltar que com o avanço da tecnologia, o ensino a distância foi se tornando cada vez mais viável, e com a chegada do vírus, a implementação dessa forma de ensino foi acelerada. Contudo, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) realizou um estudo, o qual demostrou que cerca de seis milhões de estudantes, desde a pré-escola até a pós-graduação, não têm acesso à internet banda larga ou 3G/4G em casa. Ou seja, apesar de ser uma ótima alternativa, não se demonstra totalmente eficiente devido ao precario acesso a essa tecnologia,  derivado dos poucos investimentos destinados em infraestrutura para a conectividade ao mundo digital.

Urge, então, ações governamentais visando a solução para esta problemática. A princípio, é essencial que o Ministério da Tecnologia faça uma licitação para que haja a expansão do acesso a internet no solo brasileiro. Assim como se faz necessária que o MEC (Ministério da Educação e da Cultura) planeje uma prova avaliativa para demonstrar o déficit dos estudantes após 1 ano de pandemia, para uma possível implementação de mais um ano letivo. Essa avaliação será realizada online para aqueles que poderem e presencial para aqueles que não possuem condições, sendo feita na escola em que já está matriculado e respeitando todas as normas contra a Covid-19. E para que isso ocorra, é necessário que o Tribunal de Contas da União libere esses recursos, a fim de acelerar o fim dos impactos.