Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 29/05/2021
O artigo 6° da Constituição Federal apresenta a educação como um direito social de todo cidadão. Apesar dessa garantia constitucional, muitos brasileiros continuam fora do alcance efetivo do sistema educacional, problema que foi agravado pela crise sanitária da COVID-19. Fica evidente, portanto, que a pandemia teve um grande impacto na educação brasileira, que se materializa nas dificuldades dos alunos em aprender e na maior desigualdade entre estudante das redes pública e privada de ensino.
Em primeiro lugar, as mudanças no formato das aulas trazidas pelas medidas de combate ao vírus tornaram o processo de aprendizado dos alunos menos eficaz. De fato, muitas escolas adotaram o uso de aulas gravadas, nas quais os estudantes não interagem com os docentes. Essa dinâmica é contrária ao que defende Paulo Freire, filósofo brasileiro segundo quem o conhecimento é uma construção conjunta decorrente das interações entre aluno e professor. Retirado esse contato, portanto, a aprendizagem fica prejudicada, e o aprendiz não é capaz de obter a educação que lhe é direito. Sob essa ótica, fica claro que a pandemia afetou o processo de construção do conhecimento nas escolas.
Ademais, a crise sanitária impactou severamente famílias de baixa renda, e aumentou a desigualdade entre estudantes das redes pública e privada. Indubitalvemente, a transição para o ensino remoto ocorreu de maneira mais demorada e ineficiente nas escolas públicas, que careciam de recursos necessários para uma adaptação proveitosa. Na visão do filósofo estadunidense John Rawls, que defende que o Estado deve garantir que mesmo àqueles na pior situação não faltem direitos básicos, essa carências de recursos foi uma grande falha do governo. De certo, como mostra o dado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada de que somente 42% daqueles nas classes D e E estão conectados à internet, falta ao Estado prover condições adequadas para que todos possam participar do aprendizado. Desse modo, fica evidente que a educação dos mais pobres foi a mais prejudicada.
Fica explícita, portanto, a necessidade de intervenções para reverter os impactos da pandemia na educação brasileira. Para isso, deve o Ministério da Educação, em parceria com especialistas em aprendizagem, facilitar a interação entre alunos e professores. Isso deve ser feito através do desenvolvimento de uma plataforma digital, disponível para celulares, que permita a comunicação entre as partes, para que os docentes possam tirar dúvidas e fornecer um acompanhamento individualizado aos alunos a quem lecionam. Outrossim, deve o Ministério da Economia redirecionar verbas para a rede pública de ensino, de modo a permitir que as escolas consigam fornecer uma estrutura de ensino remoto adequada para seus estudantes. Por fim, será possível que todos os brasileiros tenham acesso adequado a educação, como garante o artigo 6° da Constituição.