Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 31/05/2021
Durante a epidemia de poliomielite nos Estados Unidos na década de 1930, o governo norte americano decidiu implantar um projeto temporário que veiculava aulas pelo rádio, visando a proteção de alunos e professores que, caso contrário, seriam perigosamente expostos ao vírus. No Brasil, quase 100 anos depois, as aulas a distância têm sido utilizadas num contexto extremamente parecido, pois a pandemia de covid-19 trouxe consigo diversos impactos na educação. Desse modo, é necessário evidenciar e analisar os problemas que nos cercam a partir deste tema, seja no descaso com o ensino público, seja nas divergências sociais que influenciam no acesso à tecnologia.
Primeiramente, é necessário reafirmar a grande diferença de qualidade de ensino existente entre as escolas públicas e particulares. De acordo com o filósofo Paulo Freire, a educação não é somente importante por agregar e combinar material cognitivo no indivíduo, ela também possui um papel fundamental na construção da vida política e social de uma população. Sob a ótica do ensino panóptico de Michel Foucault, fica evidente, assim, um padrão de comportamento que visa a manipulação do saber. No atual cenário de pandemia, esses fatores combinados com a má infraestrutura escolar, a falta de um corpo docente qualificado e a escassez de verbas, promovem o resultado de uma desigualdade educacional ainda maior do que já vivemos hoje no Brasil.
Além disso, o acesso à internet é limitado a apenas 42% das classes “D” e “E” no país, o que dificulta a admissão do ensino a distância no cotidiano de muitos alunos em quarentena. Assim como exemplificado no pensamento do geógrafo Milton Santos, o processo de globalização é extremamente rápido e eficaz, mas não pode ser considerado justo ou democrático. As mais diversas atividades rotineiras, sejam econômicas, sociais, ou culturais, vem se adequando exponencialmente aos meios digitais, portanto, o indivíduo que se encontra à parte destas ferramentas está em situação de grande desvantagem, dando continuidade a um antigo e insistente ciclo de opressões e divergências sociais.
Sendo assim, é de extrema urgência que o governo federal tome medidas para mitigar os impactos negativos causados na educação brasileira pela pandemia. O Ministério da Educação em parceria com o INEP, deve disponibilizar para os alunos uma plataforma de estudos online completa e mais eficaz por meio de verbas públicas, que possua equipamentos e profissionais adequados (como auxiliares de computação, horários disponíveis para plantões de dúvidas…) para o melhor funcionamento das aulas e equilibrar as diferenças entre o ensino a distância público e privado. Já para aqueles que não possuem acesso a internet, o governo de cada estado deve promover o material didático físico necessário para os estudantes, bem como uma cartilha de instruções voltada às atividades.