Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 30/05/2021
Durante a década de 1930, o mundo sofreu com uma grande crise devido à superprodução de produtos. Tal falha no capitalismo, gerou uma necessidade de mudança, que se materializou no novo modo de produção do Toyoitismo. Atualmente, a pandemia poderá gerar mudanças no sistema brasileiro que vem privatizando diversos setores básicos, prejudicando as populações mais carentes, e, com a crise viral, irá reforçar a desigualdade no Brasil pós pandemia se não houverem mudanças.
Desde a redemocratização, no governo Collor e, posteriormente, com FHC, nosso país é regulado pelo neoliberalismo. Por tal fato, muito foi passado do Estado, um agente que deve agir de acordo com os interesses populares, para empresas privadas, que tomam suas decisões visando o maior lucro possível. Após os anos 2000, com as privatizações já consolidadas, o fenômeno neoliberal não garantiu estrutura para os serviços públicos e, com a pandemia, a necessidade de infraestrutura e tecnologia fez–se gritante.
Retomando o cenário da Covid-19, a instabilidade das escolas públicas vem aumentando as diferenças entre o nível de aprendizado da população mais rica para a mais pobre. Ao necessitar-se que os estudantes continuem em casa, mas ainda aprendendo, o baixo acesso à meios digitais que possibilitem isso demonstra a disparidade causada pela desigualdade de classes. Porém, ao lembrarmos do contexto neoliberal da produção tecnológica, notamos que uma vasta parte dos desenvolvimentos do setor privado em tecnologia, são destinados à somente quem tem dinheiro e para melhorar ainda mais sua comodidade. Assim, ideias como o “futurismo”, que pensa possibilidades como a “imortalidade” pela medicina, e empresas como a Tesla, que trabalham em como irmos à Marte, não pretendem auxiliar o momento presente de necessidades mais básicas de acesso à internet por focarem no luxo e conforto de quem poderá pagar e dar lucro à eles.
Destarte, é necessário que o governo invista no setor tecnológico de maneira mais básica e garantindo o mínimo à todos antes de outros luxos pontuais. Através do surgimento de empresas públicas, ou estatizações, e (para uma mudança não tão brusca) do benefício à empresas privadas que foquem no auxílio popular, poderia-se reduzir os impactos da desigualdade para que, eventualmente, ela acabe. Não somente, porém, o setor tecnológico iria mudar. O órgão do MEC deve atuar na consolidação da estrutura educacional pública para receber tecnologia, através de investimentos direcionados e da formação de profissionais familiarizados com a tecnologia. De tal maneira que o setor público alcançaria o privilégio educacional do privado, reduzindo também as desigualdades. Assim, a crise pandêmica irá causar uma real reorganização da vida do povo brasileiro.