Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 31/05/2021
Em “A Rainha Vermelha” de Victoria Aveyard, o mundo é dividido em dois. A posição neste mundo é decidida pela cor do sangue com o qual a pessoa nasce. O Brasil também é dividido em dois: aqueles que o governo tenta esconder do resto do mundo e aqueles que querem mostrar. Os ricos e os pobres. Os bonitos e os feios. Os que são a exata descrição de como o Brasil perfeito seria, e os que são a imagem de tudo o que é preciso melhorar. Na pandemia de coronavírus, esse cenário piorou ainda mais. Principalmente quando o tema é a educação.
Eduardo Marinho, filósofo brasileiro, diz que “não há competição onde há desigualdade de condições. Há covardia.” É uma boa maneira de falar como serão os vestibulares dos próximos anos. Uma competição entre os que tiveram aula durante todos os meses em que a pandemia se estendeu e os que ficaram mais de um ano sem aula. Oito milhões de brasileiros ficaram sem aulas, segundo a revista exame. Não é justo fazê-los competir com aqueles que tiveram acesso à aula, matéria e professores, mesmo que de maneira remota. Seria como roubar seu futuro.
Além da questão da desigualdade, há também os problemas que afetam a todos: os problemas psicológicos causados pela situação em que o país está. O tempo passado em frente às telas aumenta o risco de doenças mentais como a depressão e a ansiedade, pode causar casos de obesidade e piora consideravelmente o sono. Tudo isso leva a quadros de exaustão mental, que piora as doenças mentais, causando um ciclo sem fim. As escolas, além de ambientes de aprendizado, são também ambientes de convívio social, essenciais para o desenvolvimento psicológico e social de crianças e adolescentes. Segundo Aristóteles, viver coletivamente é o que permite que sejamos humanos. Para ele, o isolamento causa a destruição da humandidade das pessoas. Então como juntar as duas coisas? Como proteger os alunos do vírus e ao mesmo tempo mantê-los em sociedade, evitando todos os problemas citados anteriormente?
A realidade é que esses problemas só serão totalmente resolvidos com o fim da pandemia e a volta da vida em comunidade. Porém, enquanto isso não acontece, o Governo Federal deve se juntar aos governos e estaduais e prefeituras para achar projetos para garantir acesso dos jovens à aulas e a tratamentos para os transtornos psicológicos, e manter esse projeto por mais tempo, garantindo estrutura mesmo depois que a pandemia acabar. E quando isso acontecer, os governos deveriam investir mais na contratação de professores para que os alunos possam recuperar o tempo que perderam durante a quarentena.