Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 15/07/2021
A Constituição Cidadã, promulgada em 1988, garante a todos os brasileiros diversas garantias, como a educação. No entanto, por conta da pandemia do novo coronavírus o gozo pelo desse direito está comprometido, uma vez que as instituições de ensino tiveram que ser fechadas. Nesse sentido, esses acontecimentos têm impactado diretamente no aprendizado dos estudantes do país, com consequências que serão sentidas no curto e longo prazo pela população, agravando, ainda mais, as desigualdades sociais existentes. Dessa forma, mostra-se a relevância em discutir essa pauta.
Primeiramente, é indubitável que o principal impacto da pandemia do COVID-19 é a acentuação das discrepâncias sociais do país, uma vez que nesse período a educação está, ainda mais, díspare entre as classes sociais. De acordo com o Instituto Nacional de Geografia e Estatística, em 2019, haviam no Brasil mais de quatro milhões de estudantes da rede pública sem acesso à internet. Nesse contexto, devido ao fechamento das escolas, está conectado com a Rede é fundamental para ter acesso remoto à educação e aqueles alunos que não possuem esse recurso estão em desvantagem no aprendizado. Além disso, muitas escolas públicas não possuem meios digitais adequados para o ensino à distância, sendo esse suspenso por completo ou realizado de forma inadequada, enfatizando as disparidares entre os alunos da rede de ensino público e privado; e entre as classes sociais, consequentemente.
Além disso, é cabível salientar que as sequelas do déficit educacional gerado durante a pandemia podem ser graves e duradouras, uma vez que podem interferir diretamente no aprendizado e no desenvolvimento das crianças. Segundo Paulo Freire, sociólogo e pedagogo brasileiro, a educação deve ser um instrumento que permita o progresso, a autonomia e o pensamento crítico dos indivíduos. Desse jeito, a ausência de ensino durante a pandemia poderá causar prejuízos irrevessíveis por toda uma geração e influenciar em questões da vida desses e da sociedade onde vive, como conseguir uma vaga no mercado de trabalho, no ensino superior ou escolher os representantes públicos, por exemplo.
Destarte, tornam-se evidentes os desafios da problemática, destacando-se o papel do Poder Executivo Federal, por meio do Ministério da Educação, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, em disponibilizar meios que reduzam as discrepâncias educacionais no país durante e após a pandemia. Dessa forma, para essa ação, utilizando recursos governamentais, o Estado poderá fornecer as famílias carentes tecnologias necessárias para o ensino remoto, como computador e internet, por exemplo; além disso, capacitar professores da rede pública no uso dessas ferramentas. Dessa maneira, o Brasil estará no caminho para garantir o direito constitucional à educação.