Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 15/07/2021
Apesar de a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 205, garantir que a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, nota-se que essa garantia não é a realidade de muitos cidadãos no atual cenário do surto de Coronavírus do país, o que é resultado da junção de profissionais despreparados para o ensino digital com a falta de acesso à internet. Portanto, são necessárias medidas governamentais para combater os impactos da pandemia na educação brasileira.
É relevante abordar, primeiramente, que muitos educadores não foram preparados para o novo meio de se ensinar no Brasil. De acordo com uma pesquisa do Instituto Península, 90% dos docentes nunca tinham tido qualquer experiência com a educação à distância, e 55% não receberam, até o momento, suporte ou treinamento para atuar de maneira não presencial. Nesse viés, esses indivíduos precisam se reinventar completamente, criando novos materiais e métodos que facilitem o aprendizado das crianças, adolescentes e jovens. Logo, fica evidente que a gestão Governamental deve fornecer treinamentos para os professores, uma vez que, conforme o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população.
Paralelo a isso, vale também ressaltar que nem todos os alunos possuem acesso à internet, o que, consequentemente, converte-se numa didática deficitária. Fato esse, que é diferente do que está disposto no artigo 227 da Constituição Federal, quando discorre sobre o dever do Poder Público de assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direto à educação, visto que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 39,8 milhões de brasileiros de 10 anos ou mais de idade estão excluídos da comunicação online, e, por isso, impedidos fixar o conteúdo lecionado e, até mesmo, realizar as suas tarefas escolares.
Dessa forma, pode-se inferir que o despreparo dos professores para ensinar à distância e a falta de acesso à internet são situações que carecem de soluções. Sendo assim, cabe ao Governo, por intermédio do Ministério da Educação, a ministração de treinamentos sobre a utilização dos recursos digitais, haja vista que muitos profissionais da educação se sentem sem preparo, visando melhorar o ensino à distância. Outrossim, o Poder Estatal, por meio do Tribunal de Contas do Estado, deverá realizar uma análise da renda de famílias carentes e, constatada a necessidade de ajuda, fornecer notebooks e conexão à rede, buscando reduzir a desigualdade educacional no Brasil. Só assim, a realidade brasileira se aproximará do que está determinado na Constituição Federal e do pensamento do filósofo Thomas Hobbes.