Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 21/07/2021

A Constituição Federal, de 1988, prevê a todo cidadão o direito à educação, porém, na atual pandemia, a falta de mobilização do Estado em promover a igualdade digital e a formação de profissionais capacitados para dar aulas virtuais tem gerado grandes impactos na educação brasileira. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar que a desigualdade digital no país era realidade muitas vezes ignorada antes do início da pandemia. Uma pesquisa recente do Instituto Datafolha mostra que cerca de 74% dos estudantes da rede pública de ensino da região Sul têm acesso à atividades pedagógigas na pandemia, mas já na região Norte esse número cai para 52%. Dessa forma, é possível constatar que a desigualdade digital está impactando de formas diferentes cada região do Brasil.

Ademais, é fundamental apontar que nem todos os profissionais da área da educação possuem a preparação adequada para dar aulas virtuais. Grande parte dos educadores do Brasil são oriundos do sistema de ensino tradicional e a necessidade repentina de adesão ao ensino virtual gera um impacto significativo no trabalho desses profissionais que ainda estão em processo de adaptação.

Portanto, para que as prescrições constitucionais não sejam apenas teóricas, mas se tornem medidas práticas, é necessária uma ação mais organizada do Estado  junto ao Ministéro da Educação e Cultura (MEC) para promover a criação de leis que tornem o acesso à tecnologia um direito e uma realidade de todos, além da capacitação de profissionais da educação por meio de cursos e palestras visando a preparação para o ensino virtual. Espera-se, com isso, eliminar os impactos negativos causados na educação brasileira no período da pandemia.