Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 28/07/2021
Para o escritor Paulo Evaristo, “ toda crise é momento de mudanças”; diante disso, implica dizer que a crise sanitária, dada pela pandemia de covid-19, estabeleceu diversas adaptações ao mundo digital. Entretanto, inúmeros setores estão sofrendo para se adaptar e encontrar formas de superar essa situação atribulada, dentre eles a educação que enfrenta enormes desafios, os quais impactam no despreparo da comunidade escolar e o agravamento dos problemas de desigualdade social.
O Ensino a Distância (EAD) aliado com o despreparo, referente às novas tecnologias, de muitas instituições, limitou a formação do cidadão e a qualidade educacional, porque a educação atua diretamente no desenvolvimento econômico, social e cultural dos indivíduos. Embora o economista William Lewis afirme que a educação não é despesa, e sim investimento, no Brasil, esse argumento inquestionável não é retratado, visto que a maioria das escolas, principalmente de rede estadual e municipal, não contam com o preparo para o oferecimento de tecnologias necessárias e importantes para um ensino remoto. E, mesmo após crise, pouco se investiu, provocando evasão escolar.
Além disso, a interrupção das aulas presenciais acentuou as desigualdades sociais, ao avaliar o acesso aos apoios necessários para que a modalidade a distância ocorra. Mesmo antes da crise sanitária, 4,8 milhões de estudantes viviam em casas sem acesso à internet, o que impossibilita o acompanhamento de qualquer estudo remoto. Por conta disso, nas classes de baixa renda, perpetua-se uma realidade na qual crianças e adolescentes não têm o mínimo para estudar. Isso impacta diretamente no desenvolvimento do país como um todo, favorecendo e agravando a desigualdade social das classes, porque minimiza-se uma parcela populacional que é desprovida de apoio para uma situação que depende, exclusivamente, dele.
Tais impactos evidenciam, portanto, que mudanças são necessárias na importante ferramenta que se tornou o EAD, durante e após a crise sanitária. Cabe ao Governo Federal, junto aos Governos Estaduais, promover uma campanha nos subúrbios a fim de garantir, por meio de auxílios de internet e da compra de equipamentos, como computadores, o acesso ao ensino remoto às famílias minimizadas dos meios de apoio. Além disso, as escolas devem dar apoio pedagógico para suprir a carência educacional provocada pelo distanciamento de alunos das escolas como o aumento da evasão. Com certeza, o EAD será perene para as novas gerações, por isso deve-se investir e dar acesso a todos.