Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 02/08/2021

Conforme o professor e filósofo brasileiro Paulo Freire, a educação se destaca como um mecanismo fundamental para a promoção de mudanças sociais e a superação de desigualdades. Entretanto, analogamente, tendo em vista a eclosão da pandemia da Covid-19 e o exercício do distanciamento interpessoal, nota-se no Brasil a intensificação da defasagem do ensino, e consequentemente a acentuação das disparidades socioeducacionais e a precária transmissão de informações.

Mediante ao elencado, visando a contenção do vírus e a segurança populacional, ambientes educacionais, propícios a aglomerações, foram fechados, acarretando a rápida necessidade de adaptação ao ensino remoto. Contudo, no que tange o pensamento do sociólogo alemão Émile Durkheim, instituições sociais são imprescindíveis para a formação coletiva e individual, uma vez que exercem influências e possibilitam a passagem de valores e saberes. Destarte, torna-se perceptível os impactos negativos desencadeados pelo isolamento, tendo em vista que dificulta a comunicação e a difusão de conhecimento, sobretudo entre os mais jovens que dependem de uma maior atenção. Como exposto por estudos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), os quais comprovam que alunos em alfabetização foram os mais afetados pelo novo coronavírus, visto que, tratando-se de uma etapa delicada, não contaram com o devido auxílio pedagógico.

Ademais, pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, evidenciaram que, por conta do limitado acesso à internet ou recursos eletrônicos, estudantes e instituições da rede pública são os mais debilitados pela pandemia, pois sofrem com a precarização educativa e dificuldades adaptativas, que levam a desmotivação e o crescimento da evasão escolar. Desta forma, como expresso pela queda no número de inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio 2021, as desigualdades sociais são acentuadas pelo desincentivo governamental, visto que com a elitização do ensino ocorre a segregação em universidades e no mercado de trabalho, que acabam por ficar restritos ao domínio de indivíduos que contaram com uma base educacional sólida e privatizada.

Infere-se, portanto, a necessidade do combate ao vírus, tendo como finalidade o retorno o quanto antes para âmbito escolar. A começar pelo desenvolvimento de campanhas informativas, gerenciadas pelo Ministério das Comunicações, direcionadas a conscientização popular a respeito da importância da vacinação e da realização de hábitos higiênicos, objetivando a contenção do número de casos. Outrossim, com o apoio do Ministério da Educação, a adequação escolar as debilitações dos alunos, através de revisões de conteúdos e o oferecimento de aulas de apoio, com a intenção de superar gradualmente o déficit educacional e promover a equidade no ensino.