Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 06/08/2021
De fato, a pandemia do Covid-19 trouxe uma mudança abrupta no estilo de vida de toda a população brasileira e, consequentemente, também provocou transformações na formação educacional. Nesse sentido, a falta de acessibilidade dos métodos educacionais online e a pressão psicológica ocasionada pelo surto do coronavírus gerou diversos impactos na educação brasileira, seja pelo aumento da desigualdade entre sistemas públicos e privados, seja pelos efeitos negativos na saúde mental dos estudantes. Dessa forma, medidas devem ser tomadas com o intuito de atenuar tais mazelas.
A princípio, a inacessibilidade às aulas encontrada por inúmeros estudantes tornou-se um empecilho para a garantia do direito à educação previsto pela Constituição Federal. Por esse viés, segundo aponta uma pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, 39% dos domicílios brasileiros não têm acesso à Internet por falta de aparelhos tecnológicos. Desse modo, assim como afirma a secretária de finanças Walkiria Mazeto, o alto percentual de famílias sem conexão às redes gera uma exclusão à obtenção de uma educação pública de qualidade. À vista disso, pode-se notar que as aulas remotas configuram-se como um desafio para todos os alunos que não possuem boas condições de renda e o ensino a distância acaba por gerar uma privatização da educação básica, bem como um aumento na segregação entre escolas públicas e privadas.
Ademais, conforme pesquisa realizada pelo Instituto de Psicologia da UERJ, os casos de ansiedade e estresse tiveram um aumento de 80% durante o isolamento social. Em análise, de acordo com o psicólogo Pedro Braga Carneiro, a responsabilização excessiva dos estudantes na aquisição do conhecimento dos conteúdos suscita um cenário propício para o estresse, a ansiedade e a angústia em relação ao processo de ensino-aprendizagem. Paralelamente, consoante a fala da psicóloga Adriana Antunes, as questões emocionais interferem diretamente no desempenho acadêmico atuando como adversidade durante o período de aulas a distância. Logo, tudo isso contribui para uma sensação de esgotamento dos jovens, dificultando ainda mais a educação no decorrer desse período conturbado.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação a distribuição e entrega de materiais e livros escolares gratuitos nas casas que não possuam acesso à tecnologia necessária, bem como o retorno das aulas presenciais de forma híbrida e controlada, para que os alunos possam ter uma educação boa e com segurança. Outrossim, compete também aos Órgãos Federais viabilizar apoio psicológico, por meio de terapias, sejam elas em conjunto ou individuais, via contratação de profissionais da área de psicologia que atuem em parceria com as escolas públicas. Dessa maneira, será possível amenizar os efeitos danosos da pandemia na educação brasileira e assegurar os direitos de todos.