Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 17/08/2021
O advento da pandemia causada pelo novo coronavírus gerou, além de uma grave crise sanitária a nível mundial, transformações significativas nos pilares da sociedade contemporânea. Sob essa perspectiva, destaca-se as metamorfoses eclodidas no âmbito educacional, visto que a imperativa urgência do isolamento social provocou uma reconfiguração das formas de ensino, de tal modo que a padronização da escolarização por meio das instituições formais presenciais fora interrompida, por tempo indeterminado, por modelos informais domiciliares, através do uso de tecnologias. Dessa forma, considera-se válido debater os principais impactos positivos e negativos gerados no sistema educacional na formação intelectual dos jovens brasileiros.
Em primeiro plano, de acordo com o filósofo Pierre Lévy, o advento do ciberespaço, isto é, a comunicação por mundo virtual, possibilita uma nova articulação do saber sob uma perspectiva educacional, em função das novas formas de adquirir conhecimento através das tecnologias. Sob essa óptica, destaca-se que o novo modelo de ensino informal, ou seja, a interação aluno-docente por meio de smartphones, tablets e computadores, possibilitou um maior acesso ao meio eletrônico, viabilizando, assim, a exploração de uma ilimitada rede de recursos que esta oferece. Desse modo, a mudança no cenário cultural ocasionou a ressignificação da educação, de modo a promover o desenvolvimento de competências e habilidades digitais desses indivíduos.
Em contrapartida, urge a necessidade de explanar o contexto abordado sob aspectos negativos. É preciso considerar, antes de tudo, que a população mais afetada pelo novo dinamismo do sistema educacional são aqueles indivíduos que vivem marginalizados pela sociedade, de modo que as precárias condições sociais inviabilizam o alcance às tecnologias. A priori, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), cerca de 6 milhões de jovens, desde a pré-escola a pós-graduação, não possuem acesso à internet. Desse modo, verifica-se uma impossibilidade no acesso às aulas virtuas, configurando, dessa forma, um atraso intelectual.
Em suma, diante dos argumentos citados, cabe ao Ministério da Educação incentivar políticas públicas destinadas à capacitação profissionalizante de docentes no uso das ferramentas digitais, de modo que um maior repertório intelectual possa promover uma melhor interação e interesse dos alunos. Por fim, cabe ao Governo Federal realizar investimentos e a ampliação em conectividade, ou seja, acesso à internet, de forma gratuita, a fim de disponibilizar tal recurso para aqueles indivíduos que não possuem condições financeiras suficientes de obtê-lá. Dessa maneira, as transformações educacionais gozarão de impactos positivos.