Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 19/08/2021

Em sua obra “Dialética do Esclarecimento”, o filósofo Adorno Horkheimer fundamentou que a escola depende estritamente da estabilidade político-sanitária da civilização para cumprir suas funções sociais. Sob essa ótica, no hodierno panorama tupiniquim, a crise perpetrada pelo coronavírus revela-se, cosoante aponta a tese horkheimeriana, como um fator deletério à manutenção da ordem educacional. Nesse sentido, é possível inferir que os efeitos da pandemia atinentes à educação configuram-se como problemas contundentes ao bem-estar socioeconômico da nação. Em vista disso, convém analisar os aguçadores sociológicos e os fenomenológicos de tal imbróglio.

Por esse contexto, é fulcral compreender que a pandemia corrobora para o soerguimento de barreiras técnico-materiais que inviabilizam o desenvolvimento de habilidades comunicativas. Acerca disso, faz-se imperioso entender que a interrupção da dinâmica escolar, cujos meios de aplicação são tradicionalmente exercidos pelo substrato material do colégio, corroborou para o enfraquecimento da socialização primária efetivada pela escola e por suas interações coletivas, de modo a dirimir as competências comunicativas e sociais dos alunos. Isso foi provado pela Revista Brasileira de Ciênciais Sociais (RBCS), a qual constatou que mais de dois terços dos discentes brasileiros entre 10 e 17 anos apresentaram dificuldades na expressão de sua inteligência emocional e social, em função do distanciamento físico. Desse modo, apreende-se, decerto, que a tessitura isoladora dessa doença constitui-se como um promotor pernicioso da diligência do ensino canarinho.

Em segundo lugar, há de ser notado que essa problemática contribui para o recrudescimento dos vícios de ensino. Por esse viés, a professora da USP Sônia Lopes enuncia que o dano mais eminente gerado no atual engendramento sanitário é a deficiência da conexão aluno-professor, o qual é, em especial, um déficit marjoritário ante à educação nacional. Com isso, a insuficiência de vínculo - que, antes da pandemia, era um dos principais responsáveis pela decrepitude do cenário educacional -atualmente é intensificado pela carestia de meios para organizar uma metodologia aplicável às diversas circunstâncias que rodeiam o interesse do discente pela aprendizagem à . Assim sendo, verifica-se que os empecilhos anteriores à pandameia resvalam sobre o ensino de maneira onerosa e disruptiva.

Dessarte,  urge a necessidade de arrefecimento dos fatores contribuintes com essas intempéries. Para tanto, faz-se mister que o Ministério da Educação promova a capacitação técnica tanto do corpo docente quanto do discente, por meio da concessão de palestras que explicitem formas de ensino plausíveis ao atual momento histórico. Isso deve ser auxiliado pelo fornecimento de “tablets”  para viabilizar material esse projeto e, por fim, construir um Brasil onde a educação é, de fato, para todos.