Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 23/08/2021
No final do ano de 2019, eclodiu, na China, um surto de infecção por um vírus pouco estudado pela medicina até então, denominado COVID-19. Devido à sua alta infectabilidade, esse micróbio espalhou-se rapidamente pelos continentes, configurando um quadro de pandemia que exigiu medidas drásticas para a contenção dos danos, como o isolamento social. Este alterou significativamente o estilo de vida dos cidadãos de todo o mundo, sobretudo no âmbito educacional, que, no Brasil, enfrenta obstáculos de ordem não apenas estrutural, em decorrência do desigual acesso à internet entre os brasileiros, mas também pedagógico, no que tange ao despreparo dos profissionais da educação para lidar com essas mudanças. Para que essa situação não perdure, atitudes devem ser tomadas.
Nesse viés, um primeiro aspecto responsável pela problemática consiste no acesso restrito, para muitos indivíduos, às tecnologias que tornam possível o ensino remoto. Na década de 1930, com vistas à substituição de importações, o então presidente Getúlio Vargas incentivou a industrialização do país, a qual se deu, principalmente, no Sudeste. Por conseguinte, a sua urbanização se efetivou de forma acelerada com relação às demais macrorregiões, garantindo a ela acesso primeiro às inovações presentes nos centros urbanos, como a internet. Por causa da falta de políticas públicas que mitigassem essas desigualdades regionais ao longo dos anos, estudantes de regiões interioranas foram mais afetados pelos problemas advindos do ensino remoto, visto que muitos deles não contam, por exemplo, com energia elétrica e com sinal de internet, o que tende a acentuar a desigualdade social.
Ademais, vale ressaltar que a falta de capacitação da maioria dos profissionais da educação para lidar com o ensino a distância (EAD) corrobora a continuidade do problema. Isso se constata com a análise da 3ª Revolução Industrial, que ocorreu no final do século XX. Nesta, o avanço da robótica se consolidou, refletindo em mudanças relevantes, por exemplo, nas maneiras de se obter conhecimento. Essas mudanças, portanto, são recentes, e o modelo de formação dos educadores brasileiros ainda segue padrões pouco tecnológicos, o que justifica a dificuldade sofrida por muitos deles quanto à adequação ao EAD, a qual causou, muitas vezes, a diminuição da qualidade do ensino brasileiro.
Faz-se necessária, pois, com o intuito de atenuar esse quadro, a ação do Estado, por intermédio das Prefeituras Municipais. Estas devem garantir acesso à internet aos alunos, por meio do aumento da cobertura de internet, ao, por exemplo, realizar parcerias com empresas de telecomunicação, a fim de que todos usufruam da educação no período de isolamento social. Além disso, o Ministério da Educação deve capacitar professores para o ensino remoto, mediante oferecimento gratuito de cursos técnicos, para que a qualidade do ensino se mantenha nas novas condições de trabalho.