Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 02/09/2021
No filme “O Quarto de Jack”, é retratada a história de uma mãe, que enfrenta desafios para educar seu filho enquanto convivem presos em um quarto. Não distante da ficção, no Brasil atual, a população sofre graves consequências nos processos educacionais, em decorrência do período de quarentena estabelecido devida à pandemia do Coronavírus. Nesse contexto, vê-se que isso ocorre pela inação governamental e pelo falho papel das escolas. Logo, é necessário o debate sobre o assunto.
Em primeira análise, constata-se a faltante ação do poder público frente à negativa relação entre desigualdade e educação. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 2021, 27 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza. Nesse viés, a falta de acesso à Internet e materiais didáticos, necessários para a continuidade do aprendizado em meio ao cenário de distanciamento social, ocorrem em razão do reduzido número de verbas e projetos estatais destinados à amortização dos problemas socioeconômicos da população, induzindo à classe pobre do país ao abandono dos estudos e, por conseguinte, a defasagem de ensino. Dessa forma, é inaceitável que o governo desvie o foco desse problema.
Ademais, outro fator a saliente é o errôneo posicionamento das escolas diante das mudanças metodológicas exigidas, aos professores, durante a pandemia. Segundo o filósofo Pierre Lévy, “toda nova tecnologia gera seus excluídos”. Nesse sentido, é fato que a adoção das aulas por via remota provocou má adaptação dos docentes, isso está atrelado, em muitos casos, à precariedade de cursos de capacitação, aos educadores, pelas instituições de ensino, no que diz respeito à criação de metodologias ativas na prática da educação a distância, causando perca da efetividade das aulas, cansaço excessivo dos profissionais e mau engajamento dos educandos. Assim, faz-se mister a reformulação dessa postura, de forma emergencial.
Portanto, é evidente que medidas devem ser tomadas para mitigar a questão. Desse modo, o governo brasileiro, por meio de incentivos financeiros oriundos do tesouro nacional, deve realizar um projeto, no qual sejam distribuídos tablets com chips de Internet gratuita, portando um acervo de materiais didáticos no formato de livros digitais para alunos matriculados em escolas públicas do país e que sejam classificadas como baixa renda (até meio salário mínimo por pessoa da família), com o intuito de amenizar esse problema no país. Além disso, o Estado deve impor, aos gestores escolares, que realizem cursos de capacitação, aos professores, em metodologias ativas que tornem as aulas “Online” mais eficientes e engajadoras. Feito isso, o cenário de “prisão”, provocado pela quarentena, não anulará o progresso da educação.