Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 04/09/2021

A educação, como parte dos direitos básicos e assegurador da dignidade humana, deve ser ofertada à população com qualidade e integralidade. Nesse sentido, o advento da pandemia do novo coronavírus traz a necessidade de repensar a logística dos meios educacionais, visto que o isolamento social torna-se uma prioridade. Assim, questões antigas do cenário nacional como a desigualdade e baixa estrutura das ferramentas educativas são acentuadas e demandam espaço no debate público.

Em primeiro lugar, entender o paródoxo ja existente no país acerca da educação, muito antes do COVID ser uma realidade é fundamental. Pois, mesmo sendo direito primário e constitucional, o Brasil ainda conta com muitos habitantes analfabetos, alem de uma realidade estrutural precária, com escolas fechadas, baixa de professores, e até mesmo ausência de materiais e merenda escolar. Prova disso são os relatos trazidos pela imprensa, a exemplo do programa - Profissão Repórter , da Rede Globo, ao mostrar a realidade das escolas públicas brasileiras.

Ademais, com o surgimento e avanço da pandemia infectocontagiosa de COVID-19, a alternativa pensada pelo estado para ofertar educação e ao mesmo tempo manter o distânciamento social, foi o esquema de aulas remotas. O grande problema disso, no entanto, é que cerca de 20% da população brasileira, de acordo com o IBGE, não tem acesso a internet em suas casas, isso sem contar a porcentagem de pessoas com posse de computadores ou meios tecnológicos de acesso virtual.

O panorâma da educação frente à pandemia do novo coronavírus, traz, portanto, a necessidade de estado e população repensarem a dinâmica desse direito básico. Sendo assim, ao enxergar o país como desigual, o tratamento deve ser feito conforme às desigualdades, esta definição diz respeito à equidade, trazida pela filosofia aristotélica e pode ser uma ferramenta para momentos de crise a exemplo do contexto atual. Com isso, o Ministério da Saúde deve agir de forma a ampliar e priorizar a vacinação de funcionários da educação e incentivar pesquisas acerca da imunidade das crianças. Alem disso, o Ministério da Educação pode trabalhar no desenvolvimento de protocolo de retorno às escolas, com número reduzido de alunos, e rodízio semanal para atender à todos, alem de investir e qualificar mão de obra, e infraestrutura dos centros educacionais. Somente assim, terá-se uma nação que valoriza a educação, como parte do bem estar e segurança de seu povo.