Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 10/10/2021

Em fevereiro de 2020, com o primeiro caso de COVID-19 confirmado e, poseriormente, crescente contaminação, o Brasil deu início a uma sequência de medidas para tentar conter a propagação do vírus. Assim, uma das primeiras iniciativas governamental foi o fechamento das escolas, no entanto causaria nocivos impactos na educação brasileira. À vista disso, é impreterível a discussão sobre a incúria do Estado, no que tange a desigualdade educacional, assim como o despreparo das instituições de ensino, com ênfase na rede pública, como causa da intensificação desses impactos.

Sob esse viés, a desídia do Estado, como agente garantidor do direito de educação, é fator elementar que intensifica dos impactos da pandemia nesse setor. Uma vez que, embora previsto na Constituição Federal que a educação é um direito de todos, o Brasil oculpa o quinto lugar no ranking dos países que mais possuem desiqualdades educacionais, de acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Alunos, PISA. Consoante a isso, com o fechamento das escolas, essa desproporção do ensino aumentou de forma preocupante, principalmente pela dificuldade de acesso às aulas da população de baixa renda. Por consequência, a educação ficará mais frágil e enfraquecida, repercutindo em todas as áreas do país.

Outrossim, a falta de preparo das instituições de ensino, sobretudo a pública, agrava as sequelas deixadas por esse vírus pandêmico na educação. Porquanto, houve um grande problema de logística devido à nova realidade de aprendizagem emergencial a distância, já que as escolas tiveram que tomar decisões imediatas, mesmo sem ter um plano de contingência para esse tipo de evento adverso. A maioria das escolas, por exemplo, não possuem estruturas tecnológicas e professores preparados e habituados em lecionar através do meio digital. Dessa forma, os alunos dessas instituições serão mais prejudicados, o que aumentará ainda mais a desigualdade no ensino e, a longo prazo, social.

É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar esses impactos imediatos e eliminar os de longo prazo. Isto posto, é de ação imediata do Estado juntamente com os órgãos e secretarias de educação, elaborar estratégias que complementem o ensino, por meio de aulas extras presenciais com adoção de medida de segurança. Ademais, como diligência secundária, o Estado deve investir em tecnologia nas escolas e garantir o acesso à internet de qualidade e de forma gratuita a todos os estudantes. Conjuntamente, as escolas devem capacitar seu corpo docente e estabelecer um plano elaborado de contingência para situações adversas. Dessa forma, os impactos causados pela pandemia do COVID-19 não alcançarão de forma trágica os estudantes brasileiros, e a educação se manterá fortalecida para gerar efeitos positivos em outras áreas do país.