Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 27/09/2021

Durante a pandemia de Covid-19, que estende-se de 2020 a milhares de estudantes brasileiros foram submetidos ao ensino à distância. Nesse contexto, incontáveis reportagens jornalísticas expunham jovens sem condições econômicas e que mesmo assim conseguiram êxito no aprendizado. Distante da romantização midiática, o impacto do distanciamento social na educação é inestimável, fonte do abandono do Governo Federal que resulta em maléficos efeitos na formação a longo prazo.

Primeiramente, é válido ressaltar a negligência governamental com a educação dos menos favorecidos. Isso porque, os alunos da rede pública, em sua parcela, foram prejudicados por não possuírem conexão de internet em casa, sendo o principal impedimento do sucesso do ensino a distância atualmente. Tal como demonstra dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aproximadamente 43% da classe ‘‘D’’ e ‘‘E’’ estão desconectadas da grande rede de computadores.  Sendo assim, ao estipular o ensino remoto e não sanar a necessidade de conexão dessa população o Estado falha ao cumprir o Artigo 5º da Constituição Federal, que garante educação a todos e a obrigatoriedade do governo em ofertá-la.

Em segunda análise, é possível destacar as consequências desta problemática. A exemplo disso, está a menor adesão do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), segundo levantamento do Ministério da Educação no ano de 2021 a prova terá sua menor participação em 14 anos. Tal dado evidencia os danos a longo prazo propiciados pela educação defasada na pandemia, já que o Enem é uma das principais portas de entrada ao ensino superior para jovens de baixa renda, os quais são beneficiados com programas como SISU, ProUni e Fies. Nesse sentido, o educador Paulo Freire dizia ‘’ A educação muda pessoas, estas transformam o mundo’’, portanto, o baixo montante de inscrições no exame nacional e, em consequência, o declínio na entrada de universidades adia a revolução da sociedade

Com isso, faz-se necessário ações para atenuar a problemática. Para isso, cabe ao Ministério da Infraestrutura em conjunto com o Ministério da Educação a elaboração de parcerias Público-Privadas para o fornecimento de internet e eletroeletrônicos para todos os alunos da rede pública que estão em vulnerabilidade, de modo a dar benefícios fiscais às empresas parceiras que fornecem conexão e materiais necessários aos estudantes. Assim, será possível propiciar o mínimo para o sucesso na ensino a distância e evitar a glamourização da dificuldade pela mídia. Além disso, é urgente o estímulo ao jovem realizar o Enem, por meio de campanhas informativas que visem informar como utilizar a nota para o ingresso na faculdade e seus programas de auxílio que devem ser promovidas. Desta forma, será possível apagar os baixos índices de adesão a prova e promover um futuro baseado na educação.