Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 27/09/2021

No livro “Capitães da Areia”, o romancista Jorge Amado conta as dificuldades vivenciadas por jovens sem acesso à educação. Lamentavelmente, essa é a realidade de diversas pessoas no Brasil, que devido a lacunas em suas bases educacionais entram para o mundo do crime e acabam, muitas vezes, presos ou assassinados. Nesse sentido, a pandemia causada pelo coronavírus ampliou o abismo social existente no território verde e amarelo ao dificultar, ainda mais, o acesso da população pobre à educação, além de contribuir para que o contingente de alta renda ampliasse suas vantagens educacionais. Destarte, é imperativo debater os impactos da pandemia na educação brasileira.

Em primeira análise, resgata-se o aspecto supracitado no que diz respeito à desigualdade no acesso à educação durante a pandemia. Dessa forma, observa-se que o Estado deixou de atuar na criação de ferramentas que garantissem o acesso igualitário à educação durante o período de isolamento social. Nesse cenário, o Governo perde sua função social e passa a atuar como instituição zumbi, conforme definido pelo sociólogo polonês Zygmunt Baumam, uma vez que age sem quaisquer orientações efetivas. Assim, é necessário observar as ações governamentais no combate aos problemas acentuados pela pandemia.

Além disso, as instituições particulares de ensino aproveitaram para ampliar suas vantagens educacionais durante o período de isolamento social. Diante deste fato, torna-se evidente a constatação do economista Thomas Piketty, o qual afirma que a concentração de capital acentua as desigualdades sociais. Nesse âmbito, o acesso à internet e às técnicas inovadoras de ensino online atuam como catalisadores do problema, ao destacarem as discrepâncias entre os ensinos público e privado no país. Pois isso, é importante questionar a responsabilidade das instituições particulares na ampliação do abismo social brasileiro.

Diante do exposto, faz-se urgente a atuação do Estado para mitigar os impactos causados pelo coronavirus na educação nacional. Portanto, é imprescindível que o Ministério da Educação, em conjunto com instituições de ensino particulares, democratize o acesso à educação por meio da oferta igualitária de ferramentas educacionais, a exemplo do acesso à internet e da distribuição de equipamentos de informática àqueles que não podem pagar. Tal ação torna factível diminuir a discrepância educacional entre ricos e pobres no país, o que corrobora o princípio da isonomia assegurado pela Constituição Federal de 1988 e evita que histórias como as relatadas por Jorge Amado reverberem-se na sociedade brasileira.