Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 12/10/2021
A Revolução Técnico Científica, chamada também de 3º Revolução Industrial, ocorrida na segunda metade do século XX, inovou a forma de ensinar em diversos cursos superiores, o quais começaram a oferecer a chamada Educação à Distância (EAD), que é vinculada à aulas virtuais. Entretanto, nota-se, contemporaneamente, que o cenário pandêmico da Covid-19 ilustrou que a rede de ensino pública brasileira não está apta ao EAD. Tal fato se justifica porque diversos alunos não tem recursos tecnológicos para a aprendizagem via internet, ademais, os professores da rede pública, em sua maioria, não estão adaptados ao manuseio dos equipamentos da tecnologia da informação (TI).
Em uma primeira análise, é preciso elucidar que grande parte dos alunos da rede pública de ensino vivem tangentes ou abaixo da linha da pobreza, o que evidencia a nocividade do ensino remoto à essa classe de estudantes, visto que esses alunos não têm condições de obter os recursos necesários às aulas, como o acesso à internet por exemplo. Segundo a British Broadcasting Corporation (BBC) Brasil, 40% dos alunos das escolas públicas brasileiras não acompanham as aulas online por falta de recurso técnico. Nesse sentido, percebe-se que a informação da BBC expõe o descaso governamental com a educação de jovens e crianças durante a pandemia, já que metade dos alunos, que não têm acesso aos ambientes virtuais, perderão entre um e dois anos educacionais de aulas.
Outrossim, é necessário refletir sobre a falta de formação dos professores brasileiros frente às tecnologias fundamentais às aulas remotas. Nesse aspecto, torna-se nítido a negligência do Estado que, ciente das dificuldades dos professores em obter e manipular recursos da TI, não oferece equipamentos e treinamentos necessários à condução das aulas por esses profissionais. Esse cenário demonstra, analogamente ao Keynesianismo, que o Estado falhou como agente mantenedor do bem estar social, pois não se preocupando em ajustar as capacidades dos profissionais da educação ao momento de crise sanitária, cria-se uma geração de estudantes com lacunas educacionais.
Desse modo, faz-se necessário criar medidas que assegurem a plenitude do sistema EAD nas escolas brasileiras durante a pandemia de Covid-19. Para isso, será necessário que o Ministério da Educação, por meio de diretrizes políticas, financie o acesso à internet de todos estudantes de baixa renda, para que assim, nenhum aluno esteja à margem das aulas remotas. Paralelamente, os governos estaduais devem fornecer subsídios, como treinamento e computadores, aos profissionais da educação pública, dessa maneira, adequando o trabalho deles ao contexto do momento. Feito isso, o Brasil evoluirá para uma sociedade que, assim como no ensino superior, tenha no ensino fundamental e médio uma forma eficiente de ensinar e aprender.