Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 14/10/2021

A Revolução Técnico-Científica, ocorrida na segunda metade do século XX, inovou a forma de ensinar em diversos cursos superiores, os quais começaram a oferecer a chamada Educação a Distância (EAD), que é vinculada a aulas virtuais. Entretanto, nota-se, contemporaneamente, que o cenário pandêmico da Covid-19 ilustrou que a rede de ensino público brasileira não está apta ao EAD. Tal fato se justifica porque diversos alunos não têm recursos tecnológicos para a aprendizagem via internet, ademais, os professores da rede pública não dominam ferramentas da tecnologia da informação (TI).

Em uma primeira análise, é preciso elucidar que grande parte dos alunos da rede pública de ensino vivem tangentes ou abaixo da linha da pobreza, o que evidencia a nocividade do ensino remoto a essa classe de estudantes, visto que esses alunos não têm condições de obter os recursos necessários às aulas, como o acesso à internet, por exemplo. Segundo a British Broadcasting Corporation Brasil (BBC), 40% dos alunos das escolas públicas brasileiras não acompanham as aulas online por falta de recurso técnico. Nesse sentido, percebe-se que a informação da BBC expõe o descaso governamental com a educação de jovens e crianças durante a pandemia, já que metade dos alunos, que não têm acesso aos ambientes virtuais, perderão entre um e dois anos educacionais de aulas.

Outrossim, é necessário refletir sobre a falta de formação dos professores brasileiros frente às tecnologias fundamentais às aulas remotas. Nesse aspecto, torna-se nítida a negligência do Estado que, ciente das dificuldades dos professores em obter e manipular recursos da TI, não ofertou equipamentos e treinamentos necessários à condução das aulas por esses profissionais. Esse cenário demonstra, analogamente ao Keynesianismo, que o Estado falhou como mantenedor do bem-estar social, pois, ao não se preocupar em ajustar as capacidades dos profissionais da educação ao momento de crise sanitária, cria-se uma geração de estudantes com lacunas educacionais.

Desse modo, faz-se necessário criar medidas que assegurem a plenitude do sistema EAD nas escolas brasileiras durante a pandemia de Covid-19. Para isso, será necessário que o Poder Legislativo Federal, por meio de projetos de lei, financie o acesso à internet de todos os estudantes de baixa renda, ofertando o serviço via satélite para os alunos da zona rural e dados móveis para os da zona urbana, para que, assim, nenhum aluno esteja à margem das aulas remotas. Paralelamente, os governos estaduais devem fornecer subsídios, como treinamento e computadores, aos profissionais da educação pública, dessa maneira, adequando o trabalho deles ao contexto do momento. Feito isso, o Brasil evoluirá para uma sociedade que, assim como no ensino superior, tenha no ensino básico uma forma eficiente de ensinar e aprender.