Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 19/11/2021

No filme iraniano ‘‘O Jarro’’ professores e alunos enfrentam desafios evidenciados pela falta de recursos financeiros e humanos. Em consonância com a realidade retratada na película, está a de discentes e docentes, já que durante a pandemia tiveram que adaptar os métodos de ensino e aprendizado frente à necessidade do afastamento social. O contexto pandêmico, nesse sentido, acentuou questões que já eram críticas, como o índice de evasão escolar e, além disso, consolidou o uso da tecnologia na educação.

A educação à distância surgiu no Brasil em 1904 - através de um curso de datilografia - no entanto, só teve suas diretrizes estabelecidas em 2005, direcionado quase exclusivamente para o ensino superior. O caráter emergencial da pandemia abriu o espaço necessário para o uso da nova modalidade de ensino em outros níveis. Desse modo, o encontro da tecnologia com a educação básica pode ser definido como um processo de ‘‘hibridação’’, conceito descrito pelo antropólogo Canclini, caracterizado pela união de estruturas, que existiam de formas separadas, com intuito de atender às novas demandas da sociedade. Assim, a tecnologia estará cada vez mais presente na educação, especialmente pelo novo contexto criado pelo COVID-19, onde existirá, com frequência, a possibilidade do afastamento parcial ou total das pessoas.

Além disso, a evasão escolar também é um fator importante a ser analisado no contexto pandêmico: de acordo com a pesquisa ‘‘Juventude e Pandemia do CoronaVirus’’, cerca de 28% dos estudantes pensaram em desistir da escola durante o período. Nesse sentido, o reflexo das dificuldades financeiras em meio à pandemia foi apontado pelos alunos como o principal motivo de abandonar os estudos. Uma alternativa para essa situação seria o investimento em programas de permanências por ajudarem financeiramente os jovens sem que seja necessário desistir do processo educativo.

Portanto, são essenciais medidas operantes para a reversão dos impactos causados na pandemia no âmbito educacional. Para isso, compete ao MEC investir na inclusão gradativa de tecnologia nas instituições de ensino com intuito de complementar o processo educativo e auxiliar professores em contextos emergenciais, destinando mais recursos e atuando junto às empresas da área tecnológica, por meio da ampliação da oferta de computadores e conteúdos virtuais. Ademais, a SEC, deve possuir o compromisso com os estudantes em todas as esferas sociais. Através da viabilização de bolsas de permanência estudantil e, em parceria com a iniciativa privada, deve ofertar estágios no turno oposto às aulas, de modo a reduzir a evasão escolar.