Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 29/10/2021

Para Steve Jobs, renomado inventor e empresário norte-americano, a tecnologia move o mundo. De fato, essa ferramenta tornou-se essencial após o início da pandemia do vírus COVID-19, momento no qual diversos setores adaptaram-se ao “modo online”. Para mais, sabe-se que o setor educacional brasileiro foi severamente impactado pela pandemia e, portanto, necessitou-se a implantação do ensino à distância (EAD) em virtude do isolamento social. Entretando, essa nova metodologia de ensino tornou-se desafiadora e acarretou instabilidades psicológicas aos estudantes, além de evidenciar a desigualdade dos recursos digitais na sociedade.

Segundo o IBGE, o Brasil é o nono país mais desigual do mundo e, diante do contexto pandêmico, esse cenário evidenciou-se com ainda mais intensidade no setor educacional. É de conhecimento público que apenas parcela da população brasileira possui acesso à tecnologia e, consequentemente, essa limitação dificultou a assimilação dos conhecimentos dos alunos desprovidos de recuros digitais e inseridos no sistema EAD. Dessa forma, percebe-se que o ensino estabeleceu-se de forma limitada, criando defasagens e acentuando o índice de desigualdade educacional no Brasil.

Além disso, a restrição do contato social durante a pandemia ocasionou entraves para a saúde mental dos estudantes. A partir dos estudos da Psicologia e Medicina, sabe-se que a interação social e exposição às novas experiências externas no ambiente escolar estimulam a plasticidade neural, a fim de proporcionar bem-estar aos indivíduos. Entretanto, com a impossibilidade de aglomeração, essa habilidade cerebral não foi frequentemente estimulada e, por conseguinte, a saúde mental foi afetada consideravelmente, confirmando os relatos da OMS acerca do aumento de instabilidades psicológicas durante o cenário pandêmico.

Em suma, portanto, é indubitável o impacto da pandemia no cenário educacional brasileiro. Desse modo, faz-se necessário que o Ministério da Educação implante projetos de acesso à informação, com kits de ferramentas tecnológicas aos alunos exclusos, por meio de políticas públicas, a fim de possibilitar que a parcela de alunos sem acesso às aulas possam assistí-las normalmente, sem prejudicar o seu desempenho e, evitar o aumento da defasagem educacional brasileira. Outrossim, o Ministério da Saúde, por meio de assistência psicológica individual, deve oferecer auxílio psicopedagógico aos alunos com instabilidades mentais, com o intuito de amparar os estudantes que passam por esse processo e garantir o bem-estar estudantil.