Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 11/11/2021
A Constituição Federal de 1988 – norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro – assegura a todos os cidadãos o direito à educação e ao bem-estar social. No Brasil hodierno, entretanto, essa teoria não se faz presente na realidade de muitos estudantes, configurando-se, assim, um quadro de grande impacto na educação brasileira. Isso se evidencia não só pela falta de estratégias governamentais, como também pela concepção capitalista.
Nessa perspectiva, nota-se a falta de planejamento governamental como impulsionadora do empecilho. Acerca disso, Thomas Hobbes, filósofo inglês, defendia que é dever do Estado proporcionar meios que auxiliem o progresso de toda a coletividade. Tal cenário, no entanto, não é observado na realidade, já que o descaso governamental, no que diz respeito à formulação de estratégias para o enfrentamento da problemática, inviabiliza, infelizmente, a promoção de um sistema de educação de qualidade. Por conseguinte, o governo faz com que haja falta de assistência governamental, sobretudo na educação, impedindo a aquisição de equipamentos que favoreça a realização do ensino online durante a pandemia, de modo que agrava a desigualdade social.
Além disso, destaca-se a mentalidade capitalista como propulsora do impasse. Segundo Buda, fundador do budismo, um homem será tolo se alimentar os desejos pelos privilégios ou pelo lucro, pois tais desejos não trazem felicidade, pelo contrário, apenas trazem sofrimentos. Tal assertiva reflete o cenário atual, uma vez que o modelo socioeconômico vigente faz com que a sociedade, em alguns casos, busque pelo ideal de lucratividade, em que há a sobreposição de interesses lucrativos em detrimento do bem-estar coletivo. Dessa maneira, as empresas educacionais direcionam, muitas vezes, seus esforços para atividades que dêem retorno financeiro, como é o caso do ensino presencial, marginalizando, assim, o ensino a distância que é visto como uma modalidade de ensino alternativa para o período pandêmico, o qual gera defasagem no ensino escolar.
Urge, portanto, a efetivação de medidas para a resolução da problemática que envolve os impactos da pandemia na educação no Brasil. Nesse viés, o Poder Executivo, responsável pela harmonia social, deve elaborar panejamento efetivo, por meio de readequação orçamentário, com intuito de realizar compras de equipamentos tecnológicos que permitam o ensino online, com o propósito de proporcionar um sistema de educação de qualidade. Ademais, o governo precisa propor parcerias com empresas de comunicação para veicular informativos que retratem sobre a importância da diversidade de ensinos pedagógicos, com fito de mitigar o revés que atinge a população. Espera-se, com isso, reverter essa conjuntura e, assim, alcançar a materialização dos direitos da Constituição Federal na sociedade.