Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 30/10/2021
O filósofo e educador, Paulo Freire, diz em uma frase: “sem educação, a sociedade não muda”. Diante disso, é certo que a educação tem papel fundamental na evolução do mundo. No entanto, ela tem sofrido com os impactos da pandemia do coronavírus, visto que dificulta o acesso à internet por estudantes de classes menos favorecidas, fomentando a desigualdade e a elite educacional, além de inviabiliza a socialização devido ao isolamento social.
Em primeira análise, é evidente que ocorreu um processo de elitização da educação diante da conjuntura atual. Isso se dá, porque enquanto as classes dominantes têm amplo recurso ao ensino à distância, as empobrecidas não têm alcance à rede, pois apenas 42% destes estão conectados -de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)- fato que tão somente aumenta as desigualdades educacionais. Nesse contexto, o filósofo John Rawls, em sua teoria da equidade, salienta que devemos ter condições de igualdade, conforme as necessidades de cada um, para alcançar seus objetivos, caso que não tem acontecido na sociedade brasileira. Com isso, as condições de ascensão pela educação têm se restrito às pessoas sem vulnerabilidade econômica.
Além disso, o isolamento social limitou as interações sociais ao passo que diminuiu a socialização, trazendo desafios para a relação aluno-mundo. Tal fato acontece, já que a escola é um ambiente de aprendizado tanto acadêmico como social, pois ensina a criança a lidar com conflitos gerados em sala, como também ajuda no desenvolvimento enquanto aspectos de liderar e agir em conjunto, o que é prejudicado na falta dessa interação. Sobre esse viés, estes passam a se isolar mais, gerando comportamentos ansiosos e de timidez, tornando-os cada vez mais anti-sociais, haja vista que cerca de 1,5 bilhões de pessoas sairam da sala de aula para casa, segundo a Revista Educação. Todavia, essa problemática pode ser minimizada se a distribuição de internet for equitativa como, antes, supracitado.
Sendo assim, é notório a importância do acesso ao ensino remoto por todos, para dar fim às desigualdades e também aos problemas psico-comportamentais. Por isso, é preciso que todos os alunos tenham condições de equidade sobre o ensino remoto, e cabe ao Governo Federal -como órgão provedor dos direitos da nação- isto. Isso pode ser feito por meio da distribuição de internet para estudantes não conectados, com o intuito de minimizar a elite educacional instaurada em tempos pandemicos, e, então, garantir o direito à educação. Porque somente com um ensino de qualidade e que chegue a todos, a sociedade evoluirá como antes dito por Paulo Freire.