Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 03/11/2021

“Houve o tempo dos construtores de pirâmides e dos construtores de fábricas; agora é o tempo dos construtores de mentes”. Com essa afirmação, o educador Cristovam Buarque convida a sociedade brasileira para repensar a questão da educação brasileira sob uma nova perspectiva, uma vez que as adversidades causadas pela pandemia impactaram diretamente este âmbito, dado que a desigualdade social e a falta de interatividade explicam bem essa temática.

Diante desse cenário, cabe pontuar como a disparidade social influenciou no agravamento desta problemática. Nesse sentido, o escritor Ariano Suassuna relata que “É muito difícil vencer a injustiça secular que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos”. Sob essa lógica, com o surgimento da covid-19, adaptações no campo educacional foram necessárias, como a implementação de aulas remotas. Entretanto, a população mais carente foi marginalizada nesse sentido, dado que, a grande parcela desses indivíduos, não possuem acesso à internet ou a algum meio tecnológico. Logo, é inadmissível que este impasse perdure na sociedade, posto que existem leis nacionais que garantem esses direitos.

Outrossim, outra causa para a configuração do óbice é a ausência de sociabilidade. Nesse viés, o educador Edgar Morin afirmou que “A educação, mais do que nunca, deve ensinar a viver”. Por esse lado, é perceptível que a escola possui o papel fundamental de promover a socialização entre as pessoas. Contudo, com o advento da pandemia, o isolamento social tornou-se imprescindível para a segurança coletiva e, dessa forma, crianças, adolescentes e adultos sofreram com alguns tipos de impactos emocionais gerados pela adaptação a esse cenário pandêmico, como o desenvolvimento da depressão e da ansiedade. Portanto, apesar dos inúmeros avanços, infelizmente, ainda há uma deficiência estrutural e social o que faz com que este entrave perdure no cenário atual.

Destarte, entende-se a necessidade de propor ações capazes de atenuar os impactos da pandemia na educação brasileira. Para tanto, o Estado, como ente provedor do bem-estar social, deve criar programas que ajudem a população mais carente no acesso às aulas online, por meio do direcionamento de verbas para esta finalidade, com o intuito de reduzir a desigualdade social e educacional que foi agravada na atualidade. Além disso, as escolas em parceria com as famílias, precisam colocar em prática métodos virtuais de interatividade entre os alunos e professores, com o fito de amenizar a ausência física causada pelas medidas de prevenção ao coronavírus. Somente assim, a adaptação preceituada por Cristóvão Buarque será cumprida.