Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 06/11/2021
De acordo com a Constituição Federal, promulgada pela ONU em 1988, todo cidadão, sem exceção, possui direito a uma educação de qualidade. No entanto, a pandemia do COVID-19 acarretou impactos na educação brasileira, como o distanciamento entre o professor e o aluno, que comprometeram o exercício do supracitado direito pela nação verde amarela. Nesse contexto, cabe ressaltar a lacuna educacional, somada a familiar, e a desigualdade social como entraves para a resolução deste revés.
Diante desse cenário, é primordial pontuar o déficit da educação brasileira junto a falta de didática familiar como óbices nesse imbróglio. Isso decorre, respectivamente, do despreparo dos profissionais em conduzir aulas e disponibilizar materiais de estudo pelos meios digitais e da pouca estrutura familiar que auxilie os estudantes, sobretudo aqueles de menor idade, a utilizar as plataformas digitais para acessar aulas, resolver os exercícios propostos ou tirar dúvidas com um profissional de forma online. Nessa perspectiva, sob o olhar da teórica Vera Maria Candau, o ensino brasileiro está preso aos moldes do século XIX e não oferece propostas significantes para as inquietudes hodiernas. Nesse viés, por não se atualizar constantemente, principalmente em relação as novas tecnologias, o ensino encontrou entraves para se concretizar na pandemia do COVID-19, uma vez que não havia preparação dos educadores e dos educandos e comprometeu, por consequência, o aprendizado dos alunos.
Ademais, a disparidade socio econômica vigente foi outro entrave encontrado pela educação durante a pandemia. Nessa óptica, de acordo com o IBGE, um salário mínimo equivale a mil e cem reais ao passo que o valor médio de um notebook chega a dois mil reais, sendo incompatível, dessa forma, a compra desses aparelhos pela população pobre, o que gera, além do impasse de assistir aulas, uma vez que são todas online, a falta de aparatos para fazer pesquisas ou tirar dúvidas. Dessa forma, aqueles que possuem boas condições financeiras terão um aprendizado superior em relação aos mais carentes financeiramente, corroborando para a continuação das desigualdades sociais, uma vez que uma pessoa com um bom estudo tem maiores chances de conseguir bons empregos e, por conseguinte, não há chances de ascensão social para a classe baixa.
Em suma, cabe ao Ministério da Educação, por meio de verbas advindas do governo federal, ministrar cursos de preparação para o ensino virtual que ensine como usar as plataformas digitais, tanto aos profissionais da educação, como para as famílias dos estudantes, para que haja um melhor ensinamento escolar em tempos pandemicos e o aprendizado não fique comprometido. Além disso, cabe ao Ministério da Tecnologia, procurar os estudantes de classe baixa e disponibiliza-los aparelhos digitais para que eles possam estudar na pandemia e conseguir bons empregos futuramente.