Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 09/11/2021

Na música “Another Brick In The Wall”, de Pink Floyd, a estrutura da escola rígida tradicional é criticada. Paralelamente, no Brasil, as instituições pedagógicas têm caráter conservador, devido ao método de ensino ser o mesmo há décadas. Porém, com os obstáculos consequentes à pandemia, como o distanciamento social, a didática se reinventou, fazendo uso recorrente da internet, à qual nem todos têm acesso. Logo, em um sistema educacional sofrente de impactos pandêmicos, faz-se determinante o uso da tecnologia. Isso faz supor que o futuro da educação no Brasil terá de enfrentar as sequelas dos que não tiveram recursos digitais para a aprendizagem durante a quarentena.

Nesse contexto de isolamento social, vale destacar que é inviável o método clássico de ensino em salas de aula. De forma a lidar com o fato, foram adotadas as aulas remotas. Entretanto, é grande a parcela da população que não possui acesso à internet e que, em razão disso, se vê excluída dos recursos disponibilizados virtualmente como alternativa de ensino na pandemia. Segundo o levantamento em 2019, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cada dez domicílios, dois não possuem acesso à internet, demonstrando que o acesso ao ensino à distância não é democrático. Por conseguinte, os que não possuem meios tecnológicos capazes de acompanhar o método pedagógico adotado são lesados e não adquirem conhecimento pleno das matérias ensinadas.

Ademais, apesar de a maior parte da população ter acesso à internet, grande parte dela tem planos de rede precários, que inviabilizam a navegação produtiva. De acordo com estudos do Cetic (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), há proporcionalidade entre as classes sociais e a qualidade de conexão à internet, sendo as mais pobres as mais defalcadas, expondo as desafios dos estudantes com raros meios de buscar conhecimento. Com efeito, Pierre Lévy diz que toda tecnologia gera seus excluídos, como é o caso do ensino virtual, em que a inacessibilidade dos alunos, já marginalizados, agrava o abismo de exclusão e desigualdade social. Assim, no futuro pós-pandemia, a elitização do saber criará obstáculos aos desfavorecidos, que terão problemas em se igualar àqueles com recursos digitais, no tocante ao conteúdo assimilado.

Portanto, faz-se necessário que o Estado desenvolva e disponibilize materiais didatícos - por meio de verbas governamentais, bastando aos requerentes afirmar a inacessibilidade à internet na prefeitura de suas cidades e comprovar estar matriculado em alguma instituição pública de ensino - que será concedido aos alunos, visando diminuir a exclusão digital, a fim de que não tenham a aprendizagem defasada no período pandêmico. Somente assim haverá a diminuição das mazelas na educação provenientes da pandemia.