Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 16/11/2021
A longa metragem “Escritores da Liberdade” expõe algumas dificuldades vivenciadas por uma professora ao lecionar em uma escola da periferia estadunidense. Fora do contexto ficcional, percebe-se na realidade brasileira alguns impactos da pandemia do COVID-19 na educação, de modo que os entraves cinematográficos materializam-se, influenciando negativamente os alunos do ensino básico ao nível superior. Esse cenário, por sua vez, decorre dos efeitos negativos sucedidos pelo isolamento social no contexto pandêmico e das desigualdades sociais presentes no Brasil.
Primeiramente, é importante analisar como o distanciamento social provocou efeitos negativos para a vida pessoal e acadêmica dos brasileiros. Nesse sentido, com o fechamento de escolas e universidades, a população foi obrigada a se adaptar às atividades educacionais de modo remoto, isto é, utilizando-se das tecnologias de informação e de comunicação para formular um ambiente escolar dentro de casa. Contudo, a sociabilidade proporcionada pelo convívio social foi perdida, acarretando no aumento de uma pressão psicológica para professores e alunos. Desse modo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, houve um aumento considerável dos casos de depressão e ansiedade crônica durante a pandemia, revelando um adoecimento mental da população brasileira, fato que merece atenção do poder governamental a curto e médio prazo.
Além disso, deve-se pontuar a desigualdade social no Brasil como causa dos impactos negativos observados no sistema público de educação durante o surto de COVID-19. Nesse contexto, o ensino remoto demandou da população uma infraestrutura básica para o acesso às atividades educacionais, de modo que o acesso a computadores e à internet foram fundamentais durante esse período de adaptação forçada. No entanto, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, somente 57% da população possui acesso à internet, o que demonstra uma falta de democratização dessa acessibilidade no ensino público. Assim, percebe-se como a ausência da educação para essa população excluída corrobora a ampliação da desigualdade social e política no Brasil.
Urgem, portanto, medidas capazes de atenuar os impactos negativos da pandemia na educação brasileira. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, formular um projeto de lei, por meio de um plebiscito, que almeje universalizar o acesso à internet para os estudantes, do nível básico ao superior, a fim de concretizar o acesso ao ensino remoto. Ademais, que esse projeto vise disponibilizar acompanhamento psicológico para esses estudantes e professores dentro das escolas e universidades. Assim, paulatinamente, será possível que os impactos da pandemia sejam revertidos e que o cenário fictício de " Escritores da Liberdade" não perdure.