Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 11/11/2021
No final do século XIX, Émile Zola, o maior expoente do Naturalismo Francês, buscou em sua obra “O Germinal” desconstruir o mundo idealizado do Romantismo, trazendo à tona temas como a miséria, a exclusão e a desigualdade. Contemporaneamente, mais de dois séculos depois essa reflexão ilustra de forma contundente o panorama da educação brasileira impactada pela pandemia, encontrando-se profundamente desigual e incompatível com uma educação justa. Nesse sentido, esse cenário de desiguladade se deve à secundarização estatal e à compactuação social.
Em uma primeira análise, sob uma ótica político operacional, os profundos impactos da pandemia existentes na educação brasileira, possuem estreita relação com a secundarização da pauta exercida pelo Estado. Vale salientar que não há políticas públicas que visem amenizar esses entraves, como a distruibuição de banda larga e o fornecimento de aparelhos tecnológicos que possibilitem o acesso por parte da populção mais carente. Nessa perspectiva, em meados do século XVI, Nicolau Maquiavel em seu tratado “O Príncipe” discorreu acerca do fisiologismo e argumentou que os governantes conduzem suas decisões políticas buscando sempre perpetuar e expandir suas respectivas esferas de poder. Destarte, a partir dessa lógica fisiologista, não há significativo desenvolvimento da pauta, uma vez que, devido ao seu alto custo e baixo apelo midiático, tornou-se uma pauta preterida pela classe política.
Ademais, sob um prisma social, a compactuação social permite a perpetuação de impactos da pandemia na educação brasileira. Esse paradigma comportamental é fomentada a partir da não mobilização do corpo social, que profundamente estático, não se configura como agente de mudança. Nessa perspectiva, Gilles Deleuze,em seu livro “Mil Plâtos” argumentou que a sociedade moderna busca construir indivíduos dóceis, indiferentes e apáticos à situações de injustiça, pois assim o controle dos mesmos será possível e extremamente prático. Dessa forma, mesmo intensamente excludente, as lacunas educacionais ocasionadas pela pandemia ainda permanecem toleráveis e grande parte da população indiligente e apática.
Portanto, a secundarização estatal em paralelo com a compactuação social possibilitam a existência de significativos impactos da pandemia na educação brasileira. Sendo assim, com o objetivo de se reverter esse cenário excludente, o Poder Executivo Federal deve, sob a forma do Ministério da Educação, promover investimentos em tecnologia que permitam universalização e disseminação do conhecimento, por meio da compra de aparelhos tecnológicos aos estudantes de baixa renda e com a instalação de rede de internet em todas as regiões do país, com o auxilío do Ministério das Telecomunicações. Dessa forma, será possível contruir, uma sociedade mais justa e menos desigual.