Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 12/11/2021

Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca dos impactos negativos da pandemia na educação brasileira, questão que resulta em uma grande defasagem entre escolas públicas e privadas - haja vista que, em período de isolamento, o meio tecnológico foi um fator crucial para a continuidade e regularidade do ensino. Assim, verifica-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de empatia das empresas tecnológicas e da inobservância estatal.

Nesse contexto, constata-se que os impactos negativos referentes à educação brasileira encontram terra fértil na sobreposição de interesses particulares das empresas de internet. Analogamente, na obra “Cegueira moral”, o sociólogo Zygmunt Bauman relata as dificuldades dos grandes empresários em enxergarem realidades distintas das próprias, fato que potencializa as desigualdades sociais devido à escassez de comportamentos empáticos. Diante disso, pode-se pontuar que a visão de Bauman é legitimada pela passividade dessas empresas, que aumentaram o preço de seus serviços visando maiores lucros, uma vez que, durante o tempo de isolamento, a internet foi um produto de extrema importância para a manutencção da vida escolar de muitos alunos, pois o ensino passou a ser, majoritariamente, lessionado a distância (EAD). Consequentemente, apenas pessoas com maior poder aquisitivo puderam disfrutar desses serviços e manter os estudos de forma regular.

Ademais, cabe salientar que o agravamento do abismo educacional, em período de pandemia, deriva, ainda, da baixa atuação de setores governamentais. Semelhantemente, conforme o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Entretanto, no Brasil, observa-se justamente o contrário, uma vez que a escassez de ações e projetos de democratização do acesso à internet, bem como aos meios de acessá-la, somados à ausência de políticas públicas eficientes – a exemplo da criação de subisídios para o pleno acesso do meio digital, em aulas EAD, destinados às famílias carentes - contribui para a perpetuação do abismo educacional entre escolas públicas e privadas. Dessa forma, urge a reformulação dessa postura estatal.

Portanto, com o objetivo de ampliar a democratização do acesso aos meis digitais e, com isso, reduzir a defasagem existente na educação brasileira, o governo federal, em parcerias público-privadas, deve criar subsídios para que os estudantes mais carentes possam obter melhores planos de acesso a internet, bem como a possibilidade de financiar computadores ou notebooks que serão usados para fins educativos. Essa ação deve ocorrer por meio de verbas governamentais e insenções fiscais das empresas prestadoras de serviço de conexão virtual. Logo, com o maior acesso as aulas EAD, por parte de jovens de baixa renda, o absimo educacional brasileiro será reduzido.