Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 13/11/2021

Ao longo de toda a história brasileira, diversos entraves foram  encontrados na tentativa de desenvolvimento da nação. Atualmente, devido a sua recorrência na conjuntura do Brasil, destacam-se os impactos da pandemia na educação, questão que resulta em uma grande defasagem entre escolas públicas e privadas - haja vista que o meio tecnológico foi um fator crucial para a continuidade e regularidade do ensino. Logo, verifica-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de empatia das empresas tecnológicas e da inobservância estatal.

Nesse contexto, constata-se que os impactos negativos referentes à educação brasileira encontram terra fértil na sobreposição de interesses particulares das empresas de internet. Analogamente, na obra “Cegueira moral”, o sociólogo Zygmunt Bauman relata as dificuldades dos grandes empresários em enxergarem realidades distintas das próprias, fato que potencializa as desigualdades sociais, devido à escassez de comportamentos empáticos. Diante disso, pode-se pontuar que a visão de Bauman é legitimada pela passividade dessas empresas, que aumentaram o preço de seus serviços, visando maiores lucros. Além disso, durante o tempo de isolamento, a internet foi um produto de extrema importância para a manutenção da vida escolar de muitos alunos, pois o ensino passou a ser, majoritariamente, lecionado a distância (EAD). Consequentemente, apenas pessoas com maior poder aquisitivo puderam desfrutar desses serviços e manter os estudos de forma regular.

Ademais, cabe salientar que o agravamento do abismo educacional, em período de pandemia, deriva, ainda, da baixa atuação de setores governamentais. Semelhantemente, conforme o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Entretanto, no Brasil, observa-se justamente o contrário, devido à escassez de ações e projetos de democratização do acesso à internet, bem como aos meios de acessá-la. Adicionalmente, a ausência de políticas públicas eficientes – a exemplo da criação de subsídios para o pleno acesso do meio digital - contribui para a perpetuação do abismo educacional entre escolas públicas e privadas.

Portanto, com o objetivo de ampliar a democratização do acesso aos meios digitais e, com isso, reduzir a defasagem existente na educação brasileira, o governo federal, em parcerias público-privadas, deve criar subsídios para que os estudantes mais carentes possam obter melhores planos de acesso à internet, bem como a possibilidade de financiar computadores ou notebooks que serão usados para fins educativos. Essa ação deve ocorrer por meio de verbas governamentais e isenções fiscais das empresas prestadoras de serviço de conexão virtual. Assim, com o maior acesso às aulas EAD, por parte de jovens de baixa renda, o abismo educacional brasileiro será reduzido.